América Latina se une contra a ferrugem asiática

Representantes do Brasil, Bolívia e Paraguai definem ações para sistematizar o controle à doença

Por iniciativa da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), em conjunto com a Aprosoja Brasil, foi criado no dia 4 de maio o Grupo de Trabalho Antirresistência Latino-americano, o GTA-Latam. A primeira reunião do grupo ocorreu em Cuiabá, logo após o IV Simpósio Agroestratégico, também realizado pela Aprosoja. Trata-se de um fórum para discussão de estratégias de defesa sanitária que reúne entidades representativas dos produtores brasileiros, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Comitê de Ação à Resistência de Fungicidas (Frac), Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec), Instituto de Defesa Agropecuária (Indea), Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e Sementes do Paraguai (Senave) e Associação dos Produtores de Oleaginosas e Trigo (Anapo), da Bolívia. O presidente da Aprosoja, Endrigo Dalcin, explica que as peculiaridades de clima e fronteira entre os estados brasileiros com o Paraguai e a Bolívia requerem o estabelecimento de estratégias coordenadas e integradas para impedir o avanço da ferrugem asiática, como a adoção de vazio sanitário e a calendarização do plantio. A ferrugem asiática é considerada, atualmente, o maior problema fitossanitário enfrentado nas lavouras tropicais. “Essa ameaça fitossanitária precisa ser transposta de maneira conjunta. Por isso, estabelecemos esse grupo. Nessa composição, serão levadas em conta as diferenças geográficas e climáticas, mas que dependem de algumas medidas unificadas para combater a ferrugem. Atendendo as particularidades de cada país, claro, mas viso chegar a um resultado eficaz. O objetivo é não ter prejuízo nem para o produtor nem para os países”, pontuou Dalcin. No Paraguai, por exemplo, ainda ocorre o plantio de soja sobre soja. O diretor geral técnico do Senave, Cesar Rivas entende que é preciso organizar a legislação do país. “Precisamos de leis similares e que possam ser cumpridas. Vamos celebrar esse tipo de compromisso para buscar soluções”, comentou. Conforme ele, a soja é a principal atividade econômica do país, cuja produção é em torno de 10 milhões de toneladas. Em 2015, o país aplicou cerca de US$ 360 milhões em ações de controle da ferrugem asiática. Terceira atividade econômica do país, o plantio de soja na Bolívia também precisa de uma legislação mais eficiente, além de conscientização e fiscalização para cumprimento das normas contra a ferrugem. O país chega a perder cerca de 30% de sua produção (atualmente na marca de 3,2 milhões de toneladas) com a doença, informa o presidente da Anapo, Marcelo Soncini. “A realidade na Bolívia é diferente. Temos que fazer um trabalho para convencer os produtores sobre os prejuízos da soja sobre soja, e de que essa prática deixa de ser rentável. É preciso atacar de forma estrutural do ponto de visa fitossanitário, e unir esforços para que a data de plantio seja a mesma”, comentou. Como lembra a coordenadora da Comissão de Defesa Agrícola da Aprosoja, Roseli Giachini, vem sendo constatada nas últimas safras a diminuição da eficiência dos poucos produtos disponíveis para o controle e manejo da doença. Por isso os produtores brasileiros, bolivianos e paraguaios precisam entender a importância do manejo da resistência também por meio de medidas de controle cultural. “E também quais as estratégias para o manejo dessa doença, que incluem o uso de cultivares resistentes, a utilização de fungicidas com diferentes modos de ação, o uso de cultivares precoces, a ausência de cultivo na entressafra, o controle de plantas voluntárias de soja remanescentes nas áreas de cultivo e o vazio sanitário”, enumerou Roseli, que também coordenou a primeira reunião do GTA-Latam. Segundo Endrigo Dalcin, a primeira estratégia a ser adotada pelo GTA-Latam é, a partir desse encontro, que cada país leve as discussões sobre as mudanças necessárias para o controle da ferrugem asiática ao conhecimento de seus governos estaduais e federal. “Vamos solicitar ao Mapa que nossos pleitos sejam levados formalmente para o Conselho Agropecuário do Sul (CAS), que reúne os ministérios de Agricultura dos países da América do Sul”. A próxima reunião do GTA-Latam está prevista para junho, na Bolívia.

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