Produtor com pé atrás

A baixa cotação do algodão em pluma no mercado interno está deixando os cotonicultores mato-grossenses com a “pulga atrás da orelha”. Em plena véspera de colheita no Estado – que começa efetivamente a partir de junho - os preços estão pelo menos 10% abaixo dos valores mínimos fixados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Isso quer dizer que após o início da colheita a cotação poderá despencar ainda mais, inibindo o produtor a planejar e plantar na próxima safra. Levantamento realizado em algumas regiões do Estado aponta que o preço médio pago ao cotonicultor gira em torno de R$ 39, contra R$ 44,60 estipulados pelo governo federal. A expectativa para a atual safra é de que sejam colhidas 680 mil toneladas de algodão em pluma, contra 800 mil toneladas na safra 2006/07. A área plantada este ano também apresentou recuo, caindo de 550 mil hectares para 540 mil hectares. Em Mato Grosso, a colheita de algodão começa um pouco mais tarde em relação a outras regiões produtoras, como Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, onde a colheita começou e algumas algodoeiras já estão em plena atividade de esmagamento do caroço. Com o início da produção no Sul/Sudeste, os produtores mato-grossenses temem que os preços caiam ainda mais nos próximos dias, por conta da pressão de safra, quando a grande oferta do produto suprime os preços. Por isso, muitos já falam em reduzir a área de plantio na próxima safra, ciclo 08/09, que começa a ser planejado a partir do segundo semestre. É o caso da Fazenda Lagoa Encantada, no município de Primavera do Leste (239 quilômetros ao centro-sul de Cuiabá), que estima reduzir a área em até 30% caso os preços não melhorem para o produtor. Na atual safra a propriedade plantou 12,9 mil hectares. De acordo com Sidnei Xavier, o governo federal deve intervir com os leilões para sustentar o produtor quando os preços de mercado estiverem abaixo do mínimo fixado pela Conab. O Grupo Itaquerê, do produtor Elói Brunetta, também está preocupado com os preços do algodão. “Defendemos a realização de leilões para garantir preço ao produtor”, disse uma fonte do grupo, que irá iniciar a colheita em meados do próximo mês. LEILÃO – Para tentar equacionar a questão dos preços e deixar os produtores mais animados, a Conab realizada hoje o primeiro leilão deste ano de Prêmio Equalizador pago ao Produtor Rural (Pepro) de algodão. O objetivo é estimular a comercialização e o escoamento de 341,3 mil toneladas da fibra. Podem participar da operação produtores rurais e cooperativas localizados no estado de origem do lote a ser arrematado. O leilão vai atender os estados da Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí e São Paulo. O Pepro será ofertado de forma decrescente e o preço de abertura vai variar entre R$ 0,5410 e R$0,4020 por quilo do produto, dependendo do Estado. O Pepro é o valor pago ao produtor arrematante, que realizar a venda e o escoamento de seu produto, assegurando-lhe o recebimento do valor mínimo de referência, hoje estipulado para o algodão em pluma em R$ 2,9733 o quilo. Para participar do leilão, os agricultores precisam apresentar documentação, avalizada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) ou suas filiadas, que comprove a área e região de plantio, bem como volume da safra. Isso funcionará também como uma forma de fiscalização do setor privado sobre o programa.

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