Brasil se autodeclara livre da gripe aviária em granjas comerciais e busca reabertura de mercados internacionais

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Após cumprir protocolo sanitário rigoroso, governo federal intensifica negociações para derrubar embargos e recuperar exportações de carne de aves

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Mesmo com uma avalanche de casos de gripe aviária e pedidos de suspensão de exportações feitos por dezenas de países, nesta semana o Brasil se “autodeclarou” livre da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em granjas comerciais. O anúncio foi feito pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na última quarta-feira (18/06), após a conclusão de todas as medidas exigidas pelos protocolos sanitários internacionais, incluindo o chamado “vazio sanitário”.

A comunicação foi enviada à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), confirmando que o país segue com apenas um caso registrado em produção comercial — ocorrido em Montenegro (RS), no mês de maio. Desde então, o governo adotou uma série de medidas para contenção do vírus, incluindo a desinfecção da granja afetada e o bloqueio imediato da área.

“Embora ninguém deseje enfrentar uma crise sanitária, é preciso reconhecer a agilidade e a transparência com que o sistema de defesa agropecuária brasileiro respondeu”, avaliou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Segundo ele, a rápida adoção dos protocolos internacionais e o rigor das ações de vigilância reforçam a credibilidade do Brasil como fornecedor global de alimentos.

Próxima etapa: derrubar os embargos internacionais

Com a recuperação do status sanitário, o principal desafio agora é reverter as barreiras comerciais impostas por dezenas de países à carne de aves e seus derivados. Até o momento, 47 nações mantêm embargos totais às exportações brasileiras, incluindo mercados estratégicos como China, União Europeia, Canadá e África do Sul.

Outros países optaram por restrições regionais, como o Japão, que além de vetar produtos de Montenegro (RS), ampliou o bloqueio a municípios de Goiás e Mato Grosso, afetando também a exportação de ovos férteis e pintos de um dia.

O Mapa já iniciou uma ofensiva diplomática, enviando notificações oficiais a todos os países que aplicaram restrições, com o objetivo de negociar a retomada das exportações o mais rápido possível.

Impactos econômicos começam a aparecer

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as consequências dos embargos já refletem nos números da balança comercial. Em maio deste ano, as exportações brasileiras de carne de aves e miudezas recuaram quase 13% em comparação ao mesmo período de 2024, passando de US$ 751,89 milhões para US$ 654,66 milhões.

O setor, que representa um dos principais pilares das exportações agropecuárias do país, teme perdas ainda maiores caso as restrições comerciais se prolonguem.

Monitoramento contínuo e casos sob investigação

Mesmo com a reclassificação do status sanitário, o Brasil mantém um forte esquema de monitoramento, principalmente em aves silvestres. Atualmente, há três focos de gripe aviária em andamento: dois em zoológicos — um em Brasília (DF) e outro em Sapucaia do Sul (RS) — e um terceiro em uma propriedade particular em Mateus Leme (MG).

Além disso, 11 casos suspeitos seguem em investigação em estados como Minas Gerais, Espírito Santo, Pará, Roraima, Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul, a maioria envolvendo aves de criação doméstica e de subsistência.

O Ministério da Agricultura reforça que a vigilância segue intensa em todo o território nacional, com foco na detecção precoce e na resposta rápida a qualquer novo registro da doença. O governo também orienta criadores e produtores rurais a continuarem colaborando com as notificações e os protocolos de biossegurança.

A expectativa agora é que, com o avanço nas negociações diplomáticas e o histórico de resposta sanitária eficiente, o Brasil consiga reverter os embargos e recuperar, gradualmente, seu espaço no mercado global de proteína avícola.

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