Filho do governador fundou a empresa, que firmou acordo com o MP de MT e ofereceu crédito a servidores estaduais mesmo após perder autorização para operar
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Um banco fundado por Luiz Antônio Taveira Mendes, filho do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), está no centro de uma polêmica envolvendo empréstimos consignados para servidores públicos. Mesmo sem autorização do Banco Central desde 2023, a instituição Angar Bank Securitizadora S/A firmou, no início deste ano, um acordo com o Ministério Público do Estado (MPMT) para conceder esse tipo de crédito a funcionários do órgão.
A atuação da empresa levanta questionamentos não apenas pela ausência de regulação federal, mas também pelo ambiente político que cerca o negócio. Pouco após o surgimento do Angar Bank, o MPMT publicou uma resolução que aumentou de 30% para 45% o limite da margem consignável nos salários dos servidores, abrindo ainda mais espaço para operações financeiras com desconto direto em folha.
Além do fundador, o Angar Bank tem entre os sócios nomes com vínculos estratégicos no cenário estadual. Um dos empresários é Hélio Palma de Arruda Neto — genro do ex-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho e filho de Hélio Tito Simões de Arruda, diretor da Desenvolve MT, a agência estadual que regula a habilitação de instituições para operar com consignados voltados a servidores.
Em nota, o governo de Mato Grosso tentou se desvincular da empresa, alegando que Luiz Antônio Mendes deixou o quadro societário da Angar em julho de 2023.
“Luis Antônio Mendes não é sócio da empresa Angar Bank Securitizadora desde 28 de julho de 2023, conforme documento em anexo. Durante sua participação na empresa, não houve nenhuma prestação de serviço a entes públicos”, afirmou a assessoria.
Apesar da tentativa de afastamento institucional, o episódio reforça o debate sobre possíveis conflitos de interesse e falta de transparência em negócios com entes públicos que envolvem familiares de agentes políticos.





