Sem maioria, a base bolsonarista do Congresso vai usar a CPMI para tentar vincular o esquema de desvios de aposentadorias ao governo Lula.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que vai investigar as fraudes no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e desvios de aposentadorias será instalada nesta quarta-feira, no Senado.
A reunião está agendada para começar às 11h.
Mesmo diante da pressão de parlamentares da oposição, a tendência é que a CPMI tenha um viés mais governista. O presidente do colegiado é o senador Omar Aziz (PSD-AM, foto), antigo aliado do presidente Lula. O relator é o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), parlamentar também considerado integrante da base do governo na Câmara.
Sem maioria no colegiado, a base bolsonarista do Congresso vai usar a CPMI para tentar vincular o esquema de desvios de aposentadorias ao governo Lula. O principal alvo será José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente da República.
Em entrevista ao jornal O Globo, o relator da CPMI não descartou a convocação do irmão do presidente da República.
“A CPI é colegiada, e será a maioria que decidirá quem será convocado. Quem for citado, certamente será chamado para prestar esclarecimentos. Mas não vamos pré-julgar ninguém. A gente espera a instalação da CPI para pensar o plano de trabalho, mas todo mundo vai ser convocado”, disse o deputado.
O irmão do presidente Lula é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). A entidade foi acusada de estar envolvida no esquema de desvios indevidos de aposentados e pensionistas.
Conforme relatório da Controladoria-Geral da União, o sindicato do irmão de Lula chegou a incluir 3,2 novos filiados por ao dia.
Clima de desconfiança com a CPMI do INSS
Apesar disso, há um clima de desconfiança nos trabalhos da CPMI. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse a este portal que sente um “cheiro de pizza”. “CPMI é instrumento da oposição. Na minha avaliação, ele [o relator] é muito governista. Está com cheiro de pizza no ar”, disse Sóstenes.
No X, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), que será membro da comissão, criticou a escolha do deputado do Republicanos como relator. “CPIs são instrumentos da oposição pra investigar o governo. Esse o sentido de sua criação. Nada contra o relator indicado, mas tudo contra a sua indicação. Infelizmente o Congresso é autofágico. Como membro indicada pelo PL para a CPMI do INSS, manifesto minha indignação”, escreveu.
Do lado governista, a estratégia será tentar vincular as fraudes do INSS ao governo Jair Bolsonaro, principalmente por meio de despachos dos ex-ministros Onyx Lorezoni e Rogério Marinho (PL-RN), hoje líder da oposição no Senado.
Fonte: O Antagonista





