O evento, com ingressos custando mais de R$ 800, também teve o Banco do Brasil, Caixa, PicPay e Febraban como patrocinadores.
A Coca-Cola se viu em meio a um atrito diplomático e financeiro após patrocinar um evento que teve o ministro do STF, Alexandre de Moraes, como palestrante de destaque. O caso ganhou urgência em Washington porque Moraes está sob sanção dos Estados Unidos (EUA) desde julho, punido com a rigorosa Lei Magnitsky pelo então presidente americano, Donald Trump. Para a Casa Branca, empresas com negócios no país não podem financiar ou dar visibilidade a alvos desta legislação.
O patrocínio ao XXVI Congresso Nacional do Ministério Público gerou incômodo imediato no governo americano. Um alto representante do Departamento de Estado chegou a ligar diretamente para um executivo da Coca-Cola nos EUA. O contato, feito em tom de alerta, reprovou explicitamente o apoio financeiro da multinacional ao congresso realizado em Brasília. O evento, com ingressos custando mais de R$ 800, também teve o Banco do Brasil, Caixa, PicPay e Febraban como patrocinadores.
O governo americano é taxativo: pessoas e companhias que oferecem “apoio financeiro” a indivíduos designados pela Lei Magnitsky podem, elas próprias, ser alvo de sanções secundárias. Apesar de não divulgarem medidas antecipadamente, Washington planeja aumentar o rigor da lei no Brasil para fechar brechas detectadas no mercado. O objetivo é forçar o cumprimento das regras por instituições financeiras e big techs, comunicando-se com clareza para evitar a negligência das empresas.
Procurada para se manifestar, a Coca-Cola Brasil defendeu-se por meio de uma nota. A empresa afirmou que seu patrocínio à organizadora do evento é de longa data e que o único objetivo é fomentar o diálogo público. A multinacional alegou que não teve qualquer participação na escolha dos palestrantes e que não foi informada sobre a lista de oradores, incluindo Alexandre de Moraes, no momento da confirmação do apoio institucional.





