País afirma que ‘esse ato de pirataria constitui uma grave violação do direito internacional e uma flagrante transgressão aos princípios de livre navegação e comércio’
Os Estados Unidos implementaram em agosto uma operação antidrogas no Caribe que contou com o apoio da primeira-ministra trinitina, Kamla Persad-Bissessar, aliada do governo de Donald Trump.
Caracas informou ter “pleno conhecimento da participação do governo de Trinidad e Tobago no roubo do petróleo venezuelano”, com “o assalto a um navio que transportava esse produto estratégico da Venezuela” em 10 de dezembro.
“Esse ato de pirataria constitui uma grave violação do direito internacional e uma flagrante transgressão aos princípios de livre navegação e comércio”, acrescenta o texto publicado na plataforma de mensagens Telegram da vice-presidente Delcy Rodríguez.
Em uma mensagem enviada à AFP, Persad-Bissessar disse que não está “perturbada com o comunicado” de Caracas e pediu ao governo venezuelano que “dirija suas queixas ao presidente Trump”.
O presidente republicano anunciou na semana passada que seu Exército havia apreendido um petroleiro em frente ao litoral da Venezuela, em uma medida sem precedentes na crise entre Washington e Caracas. O governo do presidente Nicolás Maduro considerou a ação um “ato de pirataria internacional”.
Maduro havia suspendido em outubro os acordos energéticos com Trinidad e Tobago, depois que o arquipélago recebeu um contratorpedeiro americano para exercícios militares conjuntos.
Agora, no comunicado divulgado nesta segunda-feira, ratificou a decisão e ordenou “extinguir” todas as relações com o governo trinitino.
“O governo venezuelano decidiu extinguir de maneira imediata qualquer contrato, acordo ou negociação para o fornecimento de gás natural a esse país”, indica a nota.
‘Nem uma gota’
Trinidad e Tobago anunciou nesta segunda-feira que permitirá que aeronaves militares americanas usem seus aeroportos nas próximas semanas para “movimentos de caráter logístico”. Em novembro, também foi instalado um radar no arquipélago com apoio americano.
O presidente republicano anunciou na semana passada que seu Exército havia apreendido um petroleiro em frente ao litoral da Venezuela, em uma medida sem precedentes na crise entre Washington e Caracas. O governo do presidente Nicolás Maduro considerou a ação um “ato de pirataria internacional”.
Maduro havia suspendido em outubro os acordos energéticos com Trinidad e Tobago, depois que o arquipélago recebeu um contratorpedeiro americano para exercícios militares conjuntos.
Agora, no comunicado divulgado nesta segunda-feira, ratificou a decisão e ordenou “extinguir” todas as relações com o governo trinitino.
“O governo venezuelano decidiu extinguir de maneira imediata qualquer contrato, acordo ou negociação para o fornecimento de gás natural a esse país”, indica a nota.
O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, advertiu em entrevista coletiva nesta segunda-feira que as ações do governo trintino colocam “em perigo as boas relações, mas também o próprio povo”.
O principal recurso da Venezuela é o petróleo bruto, submetido a um embargo americano desde 2019. Isso obriga o país a escoar sua produção no mercado clandestino a preços bem mais baixos, destinada sobretudo a países asiáticos.
“Não poderão levar nem uma gota de petróleo. Aqui há petróleo, mas têm de pagar por ele”, reforçou Cabello.
A estatal PDVSA denunciou pela manhã um “ataque cibernético destinado a deter sua operatividade”, embora a ação tenha afetado apenas os sistemas administrativos, segundo um comunicado da empresa.
Sem apontar autores específicos, responsabilizou “interesses estrangeiros” e voltou a acusar os Estados Unidos de quererem “se apropriar do petróleo venezuelano”.
Sanções prorrogadas
Horas antes, a União Europeia (UE) decidiu prorrogar até janeiro de 2027 as sanções contra integrantes do governo venezuelano em vigor desde 2017. A medida inclui um embargo de “armas e equipamentos destinados à repressão interna”.
O bloco justificou a decisão pelas “ações persistentes que minam a democracia e o Estado de direito, assim como pelas contínuas violações dos direitos humanos e a repressão contra a sociedade civil e a oposição democrática”.
A Venezuela registrou recentemente um aumento do que defensores de direitos humanos classificam como “detenções arbitrárias” e “desaparecimentos forçados”. Há ao menos 889 “presos políticos”, segundo a ONG Foro Penal.
Nas últimas duas semanas, o serviço de inteligência venezuelano (Sebin) prendeu José Elías Torres, secretário-geral do maior sindicato do país; Nicmer Evans, diretor do veículo digital Punto de Corte; e Melquiades Pulido, dirigente do partido liderado pela opositora María Corina Machado.
Caracas rejeitou a renovação das sanções europeias, que classifica como “medidas coercitivas unilaterais”.
“Após anos de aplicação, essa política de sanções demonstrou ser um fracasso retumbante, deteriorando de maneira significativa as relações políticas e diplomáticas” com a UE, afirma um comunicado da chancelaria.
JovemPan





