O movimento defende que o cargo seja ocupado por alguém com maior identificação com as pautas biológicas femininas.
Um abaixo-assinado virtual contra a eleição de Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher já ultrapassou a marca de 120 mil adesões nesta segunda-feira. A mobilização popular surgiu logo após a votação na última quarta-feira, quando Hilton se tornou a primeira parlamentar trans a chefiar o colegiado. O movimento defende que o cargo seja ocupado por alguém com maior identificação com as pautas biológicas femininas.
A petição, idealizada pela pré-candidata Sophia Barclay, argumenta que a escolha fere critérios de representatividade que deveriam ser priorizados pela Câmara dos Deputados. O texto do manifesto afirma que o objetivo é assegurar que uma liderança amplamente reconhecida pelas mulheres brasileiras conduza os trabalhos. Durante a eleição no colegiado, o descontentamento já era visível entre parlamentares, resultando em dez votos em branco e diversos discursos de oposição ao resultado.
Deputadas federais como Greyce Elias e Rosângela Moro criticaram a nomeação, enfatizando que a comissão trata de temas específicos do universo feminino, como maternidade e câncer de colo de útero. A deputada Delegada Ione questionou publicamente a autoridade de Hilton para presidir debates sobre ciclos menstruais ou as dificuldades de ser mãe no Brasil. Para essas parlamentares, a inclusão de um novo segmento social não deveria resultar na exclusão das mulheres biológicas desses espaços.
No campo das assembleias estaduais, o tom de crítica seguiu a mesma linha, com parlamentares apontando que uma mulher trans não vivencia situações como a gravidez e a violência obstétrica. A deputada Mara Lima chegou a declarar que a luta feminina por espaços de poder acaba sendo prejudicada quando as vagas são ocupadas por quem nasceu biologicamente homem. Enquanto isso, outras congressistas optaram por protestos silenciosos ou ações judiciais para tentar reverter a composição da mesa.





