Preço da passagem aérea sobe 23% contra 10,2% de ônibus na região Centro-Oeste, aponta o Índice do Rodoviário ClickBus

0
37

Alta dos preços das passagens aéreas, medida pelo IPCA, segue em ritmo acelerado em comparação aos preços das passagens de ônibus, segundo o IRCB

Enquanto o preço das passagens aéreas dispara, o transporte rodoviário segue como a opção que mais preserva o bolso do viajante brasileiro. É o que mostra o Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB), calculado em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe): no acumulado de janeiro a junho de 2026, as passagens de ônibus subiram 6,3% em relação ao primeiro semestre de 2025, contra uma alta de 23,1% nas passagens aéreas — isto é, quase quatro vezes mais que o resultado do IRCB para o mesmo período. A diferença se amplia ainda mais quando a comparação é feita entre junho de 2026 e junho de 2025: o rodoviário avançou 7,0%, enquanto o aéreo subiu 52,4%. Na prática, isso significa que a variação da passagem aérea ficou, proporcionalmente, cerca de 7,5 vezes mais cara do que a rodoviária no intervalo de um ano.
No Centro-Oeste, o impacto no bolso do passageiro de ônibus foi o maior do país, com uma variação acumulada de 10,2% no primeiro semestre. Apesar de liderar as altas no acumulado de 12 meses (+9,3%) e na comparação anual frente a junho de 2025 (+9,7%), a região dá sinais de alívio no curto prazo: entre dezembro e junho deste ano, houve um recuo importante de -7,4% nas tarifas. No último mês, de maio para junho, o reajuste mensal na região foi de +1,7%. Já nas demais regiões, a variação acumulada no primeiro semestre registrou: Sudeste (+8,2%), Nordeste (+4,4%), Norte (+3,9%) e Sul (+1,9%).

O contraste nacional entre os modais não é um fenômeno pontual de um único mês; ele se repete em todas as janelas de comparação disponíveis no índice. Na série histórica completa, iniciada em dezembro de 2017, o IRCB acumula alta de 59,8%, ainda distante dos 80,9% de avanço das passagens aéreas no mesmo intervalo, com base no IPCA. O rodoviário também segue próximo da inflação geral do país: os 7,0% de variação entre junho/26 e junho/25 do IRCB comparam-se aos 4,6% do IPCA cheio, uma diferença bem menor do que a observada no mercado aéreo.

estrada longa, conta mais leve: interestadual x intermunicipal

O monitoramento da ClickBus e da Fipe aponta que cruzar as fronteiras estaduais demandou um ajuste ligeiramente maior do passageiro. O segmento interestadual puxou a alta consolidada do semestre, com variação de 7,6%, ficando à frente do transporte intermunicipal, que variou 5,9%. O mesmo padrão repete-se no acumulado de 12 meses: alta de 6,2% no interestadual contra 5,7% no intermunicipal.
Do convencional ao leito-cama: o preço do conforto sobe em ritmos diferentes

Entre as classes de serviço oferecidas pelas empresas de ônibus, quem buscou o conforto máximo sentiu o maior impacto no bolso no primeiro semestre de 2026: a categoria Cama liderou as altas (+8,8%). O comportamento das tarifas por classe de serviço no acumulado de janeiro a junho configurou-se da seguinte forma: Cama (+8,8%), Convencional (+6,9%), Semileito (+6,2%), Leito (+6,0%) e Executivo (+4,4%, menor variação do período). No balanço dos últimos 12 meses, no entanto, a liderança de aumentos inverte-se, sendo ocupada pela classe Convencional (+6,5%), seguida por Leito (+6,1%) e Cama (+5,6%).

 

A curta distância na liderança dos preços

As viagens de curta distância, em geral associadas a deslocamentos regionais e ao cotidiano do passageiro, concentram a maior alta do semestre, com variação de 10,1%, padrão que se mantém também nos últimos 12 meses (+9%). Em seguida vêm média-longa distância (+7,0%), média-curta (+6,6%) e longa distância (+5,9%). As viagens de média distância tiveram a menor alta do período, com +4,1%. Vale destacar que as viagens de longa distância, justamente as que mais concorrem com o transporte aéreo, foram o único grupo a registrar queda na comparação dezembro-junho (-5,8%), apesar de figurarem entre as menores altas do semestre.
aumento do diesel não chegou integralmente à passagem

Um dado do próprio informe ajuda a contextualizar a moderação do IRCB: o preço do diesel, insumo essencial da operação rodoviária, subiu 8,5% no acumulado do primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o IRCB nacional avançou 6,3% na mesma base comparativa. A diferença sugere que parte da pressão de custos não tem sido integralmente transferida para o preço da passagem.
Números em detalhe

As variações abaixo referem-se à série sem ajuste sazonal.
Por tipo de viagem

Tipo Semestre (jan-jun /26) em comparação com (jan-jun/25)
Nacional (IRCB) +6,3%
Interestadual +7,6%
Intermunicipal +5,9%

Por classe de serviço

Classe Semestre (jan-jun /26) em comparação com (jan-jun/25)
Nacional (IRCB) +6,3%
Cama +8,8%
Convencional +6,9%
Semileito +6,2%
Leito +6,0%
Executivo +4,4%

Por distância percorrida

Faixa de distância Semestre (jan-jun /26) em comparação com (jan-jun/25)
Nacional (IRCB) +6,3%
Curta (até 100 km) +10,1%
Média-longa (300–400 km) +7,0%
Média-curta (100–200 km) +6,6%
Longa (acima de 400 km) +5,9%
Média (200–300 km) +4,1%

Por região geográfica

Região Semestre (jan-jun /26) em comparação com (jan-jun/25)
Nacional (IRCB) +6,3%
Centro-Oeste +10,2%
Sudeste +8,2%
Nordeste +4,4%
Norte +3,9%
Sul +1,9%

Aberturas

Indicador Semestre (jan-jun /26) em comparação com (jan-jun/25)
IRCB (passagem de ônibus) +6,3%
IPCA — Passagens aéreas +23,1%
IPCA — Diesel (insumo) +8,5%
IPCA — Índice geral +4,4%
IGP-M — Índice geral +0,04%

Retrato de junho: pequena recomposição depois da pausa

Na leitura mais recente, o IRCB Nacional subiu 1,1% em junho ante maio, recompondo parte da queda registrada no mês anterior (-1,5%). Entre maio e junho de 2026, os preços das passagens interestaduais avançaram 2,3%, enquanto o intermunicipal apresentou alta mais moderada, de 0,7%. Na leitura regional de junho, o Nordeste liderou a variação mensal (+3,0%), seguido de Centro-Oeste (+1,7%) e Sudeste (+0,4%), enquanto Norte e Sul tiveram as menores altas (+0,3% cada).
Sobre o IRCB
O Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB) é calculado mensalmente pela Fipe com base em dados de passagens comercializadas na plataforma da ClickBus. A metodologia emprega índice hedônico com controle de atributos qualitativos das viagens, garantindo que as variações refletem, de fato, a evolução dos preços e não mudanças no perfil das passagens vendidas. As séries históricas estão disponíveis desde dezembro de 2017.

Mais informações: www.clickbus.com.br/ircb
Sobre a ClickBus

A ClickBus é a plataforma líder em venda de passagens de ônibus online no Brasil. Desde 2013, a empresa traz soluções de tecnologia para viajantes, viações e parceiros, e atende mais de 300 mil rotas. Por meio de mais de 300 viações, a ClickBus já registrou mais de 62 milhões de bilhetes emitidos. Além das plataformas proprietárias, a empresa opera a tecnologia de mais de 85 viações de ônibus e 50 terminais rodoviários. A ClickBus é tetracampeã do Prêmio Reclame Aqui e chancelada pelos selos Innovative Workplaces Brasil 2025 (da MIT Technology Review), RA1000 (excelência máxima no atendimento) e Great Place to Work 2025.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Digite seu nome aqui