A guerra encorajou o Irã e seus aliados houthis no Iêmen, que atacaram a Arábia Saudita, enquanto analistas afirmam que Washington agora é visto como um parceiro cada vez menos confiável. Desde o início da guerra, a Arábia Saudita aproximou-se da Turquia, do Egito e do Paquistão, que têm pressionado pela mediação e por uma resolução do conflito.
O acordo também surge num momento em que a trégua entre Riade e os rebeldes Houthi no vizinho Iémen rompeu, com os Houthi a lançarem ataques em território saudita e a declararem um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita, que tentaram impor atacando petroleiros sauditas.
Uma fonte próxima aos militares e ao governo saudita disse à AFP que, embora o acordo entre Riade, Ancara e Islamabad estivesse em discussão há muito tempo, “os últimos acontecimentos na região o aceleram”. Uma segunda fonte próxima a autoridades sauditas confirmou, sob condição de anonimato, que o acordo seria assinado na sexta-feira.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, chegou na sexta-feira à cidade de Jeddah, no Mar Vermelho, informou a mídia saudita, onde deverá se encontrar com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman e com o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif.
Sharif e o chefe do exército paquistanês, Asim Munir, também chegaram ao reino, e o Ministério da Informação de Islamabad informou na sexta-feira que eles realizaram uma peregrinação a Meca.
“Embora ocorra em um contexto de tensões elevadas no Golfo, a visita terá um significado que vai além da crise imediata e das considerações de curto prazo”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi, na quinta-feira.
Novos ataques dos Houthis
Os três países têm sido alvo de especulações, durante meses, sobre uma possível aliança estratégica. O Paquistão tem procurado mediar os esforços para pôr fim à guerra entre os EUA e o Irã, enquanto a Turquia tem desempenhado um papel diplomático nas negociações destinadas a encerrar a guerra em Gaza.
A Arábia Saudita e o Paquistão já haviam anunciado um pacto de defesa conjunto para 2025, uma medida que chamou a atenção porque o Paquistão é o único estado do mundo muçulmano com armas nucleares. O acordo também surge num momento em que Riade enfrenta novos ataques dos rebeldes houthis do Iémen, que anunciaram um bloqueio concomitante dos portos sauditas.
Os houthis, apoiados pelo Irã, aumentaram a pressão sobre os exportadores de energia do Golfo, que já estão sob pressão devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz imposto por Teerã, ao ameaçarem a navegação no Mar Vermelho – outra rota fundamental para as exportações de petróleo.
Os rebeldes controlam a capital iemenita, Sanaa, e grande parte do norte do Iêmen, e lutam contra as tropas governamentais apoiadas pela Arábia Saudita no sul do país há mais de uma década.
Desde 2015, a Arábia Saudita lidera uma coalizão militar em apoio ao governo iemenita reconhecido internacionalmente contra os houthis. Um cessar-fogo foi acordado há quatro anos e, em grande parte, se manteve até que as hostilidades recomeçaram nas últimas semanas.
Na quinta-feira, os houthis mataram pelo menos 58 soldados do governo iemenita em ataques com mísseis e drones, segundo uma fonte militar, em um dos dias mais sangrentos do conflito em anos. A guerra civil no Iêmen matou centenas de milhares de pessoas e desencadeou uma grave crise humanitária.






