Promessas em excesso, resultados em falta: eleitor começa a cobrar a conta
A campanha eleitoral brasileira voltou a colocar o futuro do país no centro do debate. Como acontece em praticamente toda eleição, candidatos apresentam propostas capazes de despertar esperança em milhões de brasileiros.
Preço dos combustíveis mais baixo.
Alimentos mais baratos.
Cesta básica acessível.
Mais dinheiro no bolso.
Medicamentos gratuitos.
Programas sociais ampliados.
Tratamentos de saúde disponibilizados pelo poder público.
No discurso, o país que aparece no palanque parece quase um mar de rosas.
O problema é que o eleitor já conhece esse filme.
E começa a fazer uma pergunta incômoda:
Quantas dessas promessas realmente vão sair do papel?
O eleitor não esqueceu 2022
A eleição de 2022 deixou uma série de promessas que ainda são lembradas e discutidas.
Algumas medidas foram efetivamente implementadas. Outras estão em andamento. Outras ficaram pelo caminho.
Mas, para o cidadão comum, existe uma diferença entre aquilo que aparece em uma apresentação de governo e aquilo que ele consegue perceber no próprio bolso.
É aí que começa a cobrança.
O brasileiro que vai ao supermercado e continua encontrando preços elevados não está preocupado apenas com discursos econômicos.
Quer saber quanto vai pagar.
Quem abastece o carro quer saber o preço na bomba.
Quem precisa de medicamento quer saber se conseguirá receber.
Quem depende de programas sociais quer saber se o benefício será suficiente para enfrentar as despesas do mês.
A vida real não funciona no tempo da propaganda eleitoral.
Prometer é fácil. Entregar é outra história.
Uma das maiores armadilhas das campanhas eleitorais é transformar problemas complexos em soluções aparentemente simples.
“Vamos baixar o preço.”
“Vamos aumentar o benefício.”
“Vamos acabar com a fome.”
“Vamos dar medicamento de graça.”
“Vamos reduzir impostos.”
“Vamos colocar mais dinheiro no bolso do trabalhador.”
Frases como essas são fáceis de entender e têm forte apelo popular.
Mas existe uma pergunta que quase sempre fica em segundo plano:
Quanto isso vai custar?
E uma segunda pergunta é ainda mais importante:
Quem vai pagar essa conta?
Porque dinheiro público não aparece por mágica.
Toda política permanente precisa de recursos, planejamento e estrutura para ser executada.
O caso dos combustíveis
Poucos exemplos mostram melhor a distância entre promessa e realidade do que os combustíveis.
Quando um candidato promete gasolina mais barata, o eleitor entende uma coisa muito simples: chegar ao posto e pagar menos.
Só que o preço final envolve petróleo, dólar, impostos, custos de produção, distribuição e comercialização.
Isso não significa que um governo não possa adotar medidas para tentar reduzir preços.
Significa que o candidato precisa explicar qual medida pretende adotar, quanto ela custará e quais serão suas consequências.
Sem isso, a promessa pode parecer muito maior do que a capacidade real de execução.
A comida é ainda mais sensível
O mesmo acontece com os alimentos.
O brasileiro sente imediatamente quando o preço do arroz, feijão, carne, café, leite ou óleo aumenta.
Não é uma estatística distante.
É a sacola do supermercado chegando em casa com menos produtos.
Por isso, prometer comida mais barata pode produzir enorme expectativa.
Mas também pode produzir enorme frustração quando o consumidor não percebe a redução prometida.
É nesse momento que surge uma das maiores dificuldades de qualquer governo:
transformar uma promessa econômica em uma mudança que o cidadão consiga enxergar no próprio bolso.
A “caneta emagrecedora” e a força do anúncio
As chamadas “canetas emagrecedoras” também entraram no debate político.
A proposta de oferecer gratuitamente medicamentos para tratamento da obesidade pode atingir diretamente pessoas que enfrentam dificuldades financeiras para custear tratamentos caros.
Mas entre anunciar uma política e colocá-la efetivamente em funcionamento existe uma longa distância.
É necessário definir critérios, público beneficiário, medicamentos, aquisição, distribuição, acompanhamento médico e financiamento.
É exatamente aí que o eleitor precisa ficar atento.
Uma promessa anunciada não é necessariamente uma promessa entregue.
E agora aparece uma nova eleição
Enquanto parte do eleitorado ainda discute as promessas anteriores, os candidatos já apresentam novas propostas.
É assim que funciona a política eleitoral.
O problema é quando o futuro prometido não conversa com o passado realizado.
O eleitor pode perfeitamente perguntar:
“Se isso era possível, por que não foi feito antes?”
Ou:
“Se a proposta anterior ainda não foi concluída, por que devo acreditar que a próxima será?”
Essa talvez seja uma das perguntas mais difíceis que qualquer candidato terá de responder nesta eleição.
A pesquisa que acendeu o alerta
A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira mostra como a disputa presidencial está apertada.
No primeiro turno, Lula aparece com 45,3% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 42,2%.
No segundo turno, entretanto, os dois aparecem praticamente empatados: Flávio tem 47,7% e Lula, 47,6%.
A margem de erro é de um ponto percentual. Portanto, a diferença de 0,1 ponto no segundo turno não permite dizer que exista uma vantagem estatisticamente estabelecida de um sobre o outro.
(Imagem do sertanejo da certa)
Da redação
Parmenas Alt






