The Economist disse que Lula precisa parar de fingir que se importa com as guerras na Europa e no Oriente Médio.
A recente publicação da The Economist, uma das mais influentes revistas do cenário global, acendeu um sinal de alerta sobre a deterioração da imagem internacional do governo Lula. Em um tom surpreendentemente direto, a revista sugeriu que o presidente brasileiro deveria “parar de fingir que se importa com as guerras na Europa e no Oriente Médio”. Esta crítica contundente marca uma guinada significativa na percepção da publicação, que, em 2021, chegou a retratar o Cristo Redentor recebendo oxigênio, em uma clara alusão à crise do governo Bolsonaro, indicando que somente Lula poderia reverter o cenário. Parece que essa aposta “envelheceu mal”.
Atualmente, o cenário traçado pela The Economist e corroborado por outras mídias de peso como o Washington Post, Associated Press, The Wall Street Journal e Le Monde, é desolador. Pesquisas apontam que a aprovação do governo Lula entre os brasileiros caiu para cerca 28%, um número que levanta sérias questões sobre sua legitimidade interna e, consequentemente, sua capacidade de influência externa.
Um dos episódios mais citados para explicar essa mudança de percepção é a visita de Lula à Rússia em maio, durante as comemorações da vitória da Segunda Guerra Mundial. A The Economist sublinhou que Lula foi o único líder de uma grande democracia a comparecer ao evento, um fato que, desde então, parece ter manchado sua reputação. A tentativa de Lula de se posicionar como mediador no conflito entre Rússia e Ucrânia foi categoricamente desdenhada pela revista, que afirmou: “Vladimir Putin não o ouviu, e ninguém mais o ouviu”. Essa constatação é um golpe direto no ego e na ambição diplomática do presidente brasileiro, que, em mandatos anteriores, chegou a ser aclamado por figuras como Barack Obama.
A política externa brasileira sob Lula tem demonstrado uma preocupante hostilidade em relação a Israel, manifestada, por exemplo, por um manifesto da Fundação Oswaldo Cruz pedindo o rompimento de intercâmbios científicos. Essa postura, somada à condenação brasileira aos ataques dos Estados Unidos a instalações nucleares iranianas, tem sido observada com apreensão pela comunidade internacional. A crescente aproximação com o Irã, um país sob sanções internacionais e com histórico de instabilidade regional, é vista como um movimento arriscado.
A comunidade internacional, cada vez mais sensível a discursos que flertam com o extremismo, já não tolera mais determinados comportamentos. A exemplo de um cantor que teve seu visto para os EUA revogado após proferir cantos anti-Israel, a postura do Brasil pode gerar consequências diplomáticas e econômicas. Quanto mais o governo brasileiro se alinha a um “eixo Irã, China, Rússia”, mais artigos críticos e sanções podem surgir.
No âmbito interno, a derrota do governo Lula no Congresso em relação ao IOF e a queda acentuada de sua popularidade – com 57% de desaprovação em junho, segundo pesquisa Quest – complementam o quadro de fragilidade. Essa instabilidade interna, somada às escolhas na política externa, tem impactado diretamente as relações com os Estados Unidos. O fato de Donald Trump, mesmo após vencer as eleições, ainda não ter contatado Lula é um claro indicativo do distanciamento diplomático. As relações entre os dois países estariam em um dos pontos mais baixos da história, com as equipes diplomáticas mantendo apenas o “mínimo necessário” de comunicação.
A política internacional do governo Lula tem sido descrita por muitos como um “fiasco”, uma sucessão de equívocos que comprometem a credibilidade do Brasil no cenário global. Com índices de aprovação tão baixos, inferiores até mesmo aos de líderes como Joe Biden em seus piores momentos, a mera cogitação de uma candidatura de Lula em 2026 parece, no mínimo, incoerente.
A negação da realidade e a persistência em um curso que isola o país de democracias ocidentais e o aproxima de regimes controversos só serve para aprofundar a crise de imagem e minar a capacidade de influência do Brasil no mundo.





