“Alexandre de Moraes é um grande perigo para a democracia brasileira”, diz Glenn Greenwald

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“Ele acorda e decide: quero punir esse deputado, esse jornalista. E usa um tribunal eleitoral para isso”, disse.

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Glenn Greenwald critica Alexandre de Moraes no Senado: “Perigo para a democracia brasileira”

O jornalista norte-americano Glenn Greenwald afirmou nesta quarta-feira (30), em audiência pública na Comissão de Segurança Pública do Senado, que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, representa uma ameaça concreta à democracia no Brasil. A declaração ocorre em meio à repercussão do vazamento de áudios e documentos que supostamente indicam condutas abusivas por parte do magistrado.

Durante a sessão, Greenwald foi ouvido a convite dos senadores, ao lado do jornalista português Sérgio Tavares, que está produzindo o documentário The Fake Judge, com foco nas ações do ministro. O material divulgado recentemente envolve relatos de ex-assessores de Moraes e tem gerado críticas sobre sua atuação em processos envolvendo apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Alexandre de Moraes concentra um poder incompatível com os princípios democráticos. Ele se coloca como vítima, investigador e juiz ao mesmo tempo”, afirmou Greenwald. O jornalista acusou o ministro de usar o TSE para perseguir adversários políticos e veículos de imprensa, citando um suposto episódio em que Moraes teria ordenado que o tribunal encontrasse alguma justificativa para punir a revista Oeste. “A orientação foi: ‘seja criativo’, quando nada foi encontrado”, disse.

Greenwald comparou o atual cenário ao caso da Lava Jato, ressaltando que, desta vez, os documentos e áudios foram obtidos de forma legal, por fontes com acesso autorizado, e não por hackers. “Nada foi hackeado ou obtido ilegalmente. Todo o material veio de fontes legítimas”, afirmou.

Outro ponto levantado pelo jornalista foi o suposto uso político de investigações conduzidas pelo TSE, inclusive fora do escopo eleitoral. “Ele acorda e decide: quero punir este deputado, este jornalista. E utiliza o tribunal eleitoral para isso”, declarou.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), presente na audiência, reforçou as críticas e comparou Moraes ao ex-juiz Sérgio Moro, cuja atuação na Operação Lava Jato foi posteriormente considerada parcial. “A diferença é que, agora, não há sequer divisão de funções. Moraes centraliza tudo: investiga, acusa e julga”, afirmou.

Greenwald endossou a comparação e destacou que vê agravantes no momento atual. Para ele, as ações do ministro caracterizam abuso de poder. “Não há qualquer pedido do Ministério Público. São investigações abertas com motivação política. Isso é inaceitável em um Estado de Direito”, disse.

O jornalista também acusou Moraes de manipular relatórios e ocultar a origem das informações utilizadas para justificar decisões judiciais. “Ele dizia que os dados vinham espontaneamente do TSE, mas era ele mesmo quem mandava buscar essas provas. Tudo foi escondido porque sabiam que estavam ultrapassando os limites legais”, concluiu.

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