A supressão do relatório foi confirmada pela CIA durante uma revisão histórica dos arquivos da agência.
O então vice-presidente dos EUA, Joe Biden, teria exercido pressão sobre a CIA em 2015 para evitar a divulgação de um relatório de inteligência. Esse documento, que teve o seu sigilo retirado, tratava das preocupações de autoridades ucranianas sobre os laços da família Biden com negócios corruptos no país. Os registros indicam que o pedido do vice-presidente foi atendido, e a informação não foi tornada pública.
De acordo com informações publicadas pela Fox News Digital, o ex-diretor da CIA, John Ratcliffe, mudou de entendimento e tornou públicos os registros por acreditar que o caso é um exemplo de “politização da inteligência”. Um e-mail interno, aponta que um informante da Casa Branca comunicou à agência a “forte preferência” do vice-presidente para que o relatório fosse retido.
O documento de inteligência que Biden buscou manter em sigilo revelava que autoridades ucranianas viam os vínculos de sua família com práticas comerciais questionáveis como uma “evidência de um padrão duplo” do governo dos EUA no combate à corrupção. A supressão do relatório foi confirmada pela CIA durante uma revisão histórica dos arquivos da agência.
Um alto funcionário da CIA classificou o ocorrido como “extremamente raro e incomum”, além de “inapropriado”. O ato de um vice-presidente intervir para impedir a divulgação de um relatório de inteligência por razões políticas foge aos protocolos da comunidade de inteligência, que deveria ser protegida de interferências externas.
Na época, o atual presidente americano era vice-presidente e o responsável pelas políticas dos EUA para a Ucrânia. Em dezembro de 2015, ele fez um discurso em Kiev atacando a corrupção local e exigindo a reforma do sistema. Biden chegou a ameaçar reter US$ 1 bilhão em ajuda ao país se um procurador não fosse demitido.
O promotor ucraniano, Viktor Shokin, estava investigando a empresa de gás Burisma Holdings, na qual o filho de Joe Biden, Hunter Biden, ocupava um cargo lucrativo. Meses depois do discurso de Biden, Shokin foi demitido. Essa situação foi o cerne do impeachment sofrido por Donald Trump anos depois.
O diretor Ratcliffe enfatizou que a publicação desses registros que tiveram o sigilo retirado visa garantir a transparência e combater a “instrumentalização da comunidade de inteligência”, que, segundo ele, precisa ser completamente eliminada. A CIA, contudo, manteve a censura em partes do documento para proteger as fontes e os métodos de coleta de informação.





