Episódio acirra rumores antigos de atritos entre o ministro e a primeira-dama, com quem teria divergências recorrentes, especialmente em relação aos gastos do gabinete da Presidência
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Brasília (16/05/2025) — Uma nova tensão surgiu nos bastidores do Palácio do Planalto após o vazamento de uma conversa privada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-dama Janja da Silva e o presidente da China, Xi Jinping. A informação veio à tona por meio de reportagem da Folha de S. Paulo, e aponta o ministro da Casa Civil, Rui Costa, como principal suspeito de divulgar o conteúdo da conversa considerada confidencial.
Segundo a jornalista Mônica Bergamo, fontes próximas ao governo afirmam que Rui Costa, ex-governador da Bahia e figura de confiança do presidente, seria um dos nomes apontados internamente como responsável pelo vazamento. O episódio acirra rumores antigos de atritos entre o ministro e a primeira-dama, com quem teria divergências recorrentes, especialmente em relação aos gastos do gabinete da Presidência.
Um dos casos frequentemente lembrados nos bastidores envolve a tentativa de Janja adquirir novos móveis para o Palácio da Alvorada, ocasião em que Costa teria vetado parte das despesas, alegando excessos. Como chefe da Casa Civil, Rui Costa tem papel central na administração orçamentária do governo, o que o torna ciente de gastos e decisões logísticas envolvendo a Presidência.
Ao ser questionado sobre o vazamento, Rui Costa negou categoricamente qualquer envolvimento. “Estou retornando ao Brasil, vindo da China, e nego veementemente essas especulações infundadas”, afirmou o ministro à Folha.
Durante pronunciamento nesta quarta-feira (14), o presidente Lula também comentou o episódio com indignação:
“A primeira coisa que acho estranha é como essa pergunta chegou à imprensa. Estávamos apenas eu, meus ministros, o senador Alcolumbre e o deputado Elmar. Alguém teve a pachorra de vazar uma conversa muito pessoal, que aconteceu em um jantar com o presidente Xi.”
A conversa em questão girava em torno de uma suposta solicitação de Lula ao governo chinês para lidar com conteúdos da rede social TikTok no Brasil, o que teria sido precedido por um comentário de Janja que causou desconforto diplomático. O caso repercutiu negativamente, especialmente entre diplomatas e analistas de relações exteriores, que apontam um desgaste desnecessário com um dos principais parceiros comerciais do Brasil.
A situação também reacendeu críticas envolvendo o passado de Rui Costa, especialmente sobre sua atuação no Consórcio Nordeste durante a pandemia, quando foi citado em investigações sobre a compra de respiradores que nunca foram entregues. Apesar de o caso ainda gerar polêmica, o ministro não foi formalmente responsabilizado até o momento.
Enquanto o Planalto tenta conter os danos, a crise expõe uma crescente disputa de bastidores entre alas do governo — algumas mais técnicas e pragmáticas, como a representada por Rui Costa, e outras mais próximas da imagem pessoal de Lula e de sua esposa. A expectativa agora é sobre como o presidente irá lidar com a pressão interna e os desdobramentos de um episódio que mistura vaidades, poder e geopolítica.
Da redação





