Com foco na competitividade e no crescimento sustentável, instituições revelam desafios e oportunidades para o futuro da economia mato-grossense
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Impulsionar a competitividade e promover o desenvolvimento econômico sustentável de Mato Grosso. Esse é o objetivo central do trabalho realizado pelo Observatório Mato Grosso e pelo Movimento Mato Grosso Competitivo (MMTC), que vêm se destacando pela produção de dados estratégicos e articulação entre setor produtivo, poder público e instituições acadêmicas.
Em entrevista ao programa Estúdio Rural, a economista Vanessa Gasch — diretora executiva do MMTC e gerente do Observatório — destacou iniciativas que vêm transformando a maneira como se pensa a economia local. Um dos destaques é o recém-lançado Anuário da Indústria, que apresenta um panorama completo do setor industrial mato-grossense, evidenciando sua forte conexão com o agronegócio.
“Esse é um casamento que deu muito certo: indústria e agro. Pela primeira vez, trouxemos o Índice de Competitividade Industrial (ICI), que posiciona Mato Grosso em 10º lugar no ranking nacional. É um avanço, mas também revela os desafios que ainda enfrentamos”, explicou Vanessa.
O índice, inspirado em metodologia da Unesco e adaptado com apoio do Observatório de Santa Catarina, evidencia uma contradição: embora o estado lidere em exportações per capita, ocupa a última posição no quesito de qualidade tecnológica dessas exportações. Produtos como farelo de soja e carne bovina dominam a pauta exportadora, mas carecem de alto valor agregado.
Um exemplo positivo citado por Vanessa é a industrialização do milho, com a instalação de plantas de etanol que transformaram o mercado interno e abriram portas para derivados como o DDG, utilizado na alimentação animal. “É um caso claro de como agregar valor à produção local e tornar o estado mais competitivo”, pontua.
Custo Mato Grosso: o peso invisível para empreender
Outro trabalho de destaque liderado pelo MMTC é o projeto Custo Mato Grosso, uma iniciativa pioneira que calcula o excedente que empresas pagam para produzir no estado em comparação com regiões mais desenvolvidas do país. O resultado é alarmante: R$ 38,5 bilhões por ano, o equivalente a 14% do PIB estadual.
“Esse custo não é exclusivo de um setor, é estrutural. Queremos entender onde estão os principais entraves e como superá-los”, afirmou Vanessa. Entre os 12 eixos analisados, os maiores gargalos identificados foram a baixa qualificação da mão de obra e a infraestrutura deficiente, especialmente rodoviária.
Apesar do impacto, Vanessa reforça que o estudo não busca culpados. “Nosso objetivo é fornecer dados para a construção de soluções conjuntas, com foco em políticas públicas eficazes”, esclarece. O MMTC reúne 16 instituições de diversos setores e atua na construção de uma agenda estratégica para reduzir o custo de produção no estado.
Reforma tributária no radar
Com a reforma tributária em curso, o MMTC também está atento aos possíveis impactos no modelo de arrecadação estadual. Vanessa lembra que Mato Grosso, por ser um estado exportador e com baixo consumo interno, pode sofrer com mudanças no sistema.
“O desenvolvimento já começou em várias regiões, mas há um caminho longo a percorrer. Nosso papel é articular, diagnosticar e apoiar com inteligência e estratégia para que Mato Grosso avance de forma sustentável e eficiente”, conclui.
Por Jota Passarinho com informações do Canal Rural-MT





