Em discurso contundente na Câmara de Sinop, parlamentar destaca a ineficiência do Estado e exige ações concretas para tirar mulheres da vulnerabilidade
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Durante sessão solene na Câmara Municipal de Sinop, uma fala firme e carregada de urgência trouxe à tona a gravidade da violência contra a mulher no Brasil. A deputada estadual Janaina Riva (MDB), presente na tribuna não poupou palavras: defendeu a prisão perpétua para estupradores e feminicidas, denunciou a falta de efetivo policial para proteger mulheres ameaçadas e afirmou que apenas ações emergenciais, como a entrega de cestas básicas, não são suficientes para romper o ciclo de violência.
“Nosso desafio não é ficar distribuindo cesta básica. A gente precisa tirar as mulheres da vulnerabilidade, capacitar, colocar para trabalhar e para ter dinheiro”, afirmou. Para a deputada, o empoderamento econômico é o primeiro passo para libertar mulheres da violência doméstica. “Muitas vezes a mulher prefere apanhar do que ver o filho dela passando fome”, lamentou, revelando a dura realidade enfrentada por milhares de brasileiras.
“A violência está dentro de casa”
O discurso foi direto: 90% dos casos de feminicídio têm como autor o companheiro ou ex-companheiro da vítima, e a maioria ocorre dentro do próprio lar. “A violência acontece dentro de casa. Isso é sério. É um tema sério que precisa ser debatido com essa seriedade que a Câmara está tratando”, destacou.
A deputada também reforçou que é preciso investimento real — com orçamento e estrutura — para ampliar o alcance de políticas públicas de proteção, como a Patrulha Maria da Penha. “Nós sabemos que a patrulha combate a reincidência. Mas quantas vezes as mulheres denunciam, e não temos efetivo suficiente? E elas acabam mortas.”
Estado ausente, sociedade em alerta
Entre os relatos, chamou atenção a denúncia de uma mulher com medida protetiva que ligou para a deputada num sábado, em desespero: seu agressor estava na porta. “O que eu vou fazer? Eu ligo pro secretário de segurança. ‘Secretário, aciona o comando pra ir lá prender o cidadão, ele vai matar ela’. Esse é o nosso papel: ajudar o Judiciário e o Executivo a interromper o ciclo de violência.”
A deputada afirmou que as leis existem, mas a execução falha. E foi além: defendeu penas mais severas para crimes de estupro e feminicídio. “Nós precisamos, pelo menos, de uma prisão perpétua para quem tem coragem de estuprar uma mulher, uma idosa e uma criança.”
Sinop como exemplo para o Norte de Mato Grosso
A parlamentar celebrou o protagonismo da cidade no enfrentamento ao tema. “Sinop deu o primeiro passo. E vocês sabem: Sinop é a capital do Norte. Tudo que acontece aqui é referência.”
Ela encerrou com um chamado aos vereadores: que abram seus gabinetes para acolher denúncias de mulheres ameaçadas, e que continuem debatendo com coragem esse tema sensível. “Me sinto orgulhosa, como mato-grossense, por vocês terem essa coragem de debater esse tema aqui neste plenário. A nossa luta é constante. E transformar essa realidade é possível.”
Da redação





