Brasileiros aproveitam câmbio favorável para realizar o sonho de férias no exterior, mas especialistas alertam para os riscos de comprometer investimentos
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Com a aproximação das férias de julho, cresce o número de brasileiros que planejam embarcar rumo ao exterior. De acordo com dados da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV), 45% das viagens programadas para este mês são internacionais — reflexo direto da queda do dólar comercial, que chegou ao menor nível em oito meses, sendo negociado abaixo de R$ 5,50.
A cotação mais vantajosa da moeda americana tem incentivado muitos a transformarem o desejo de viajar em realidade. No entanto, especialistas alertam que o lazer precisa caminhar lado a lado com responsabilidade financeira. Em 2024, os brasileiros já gastaram cerca de US$ 14,8 bilhões em viagens ao exterior, segundo o Banco Central, registrando um gasto médio de R$ 15,2 mil por viagem — alta de 22% em relação a 2022. No turismo de luxo, esse valor ultrapassa os R$ 28 mil, conforme aponta o Brazil Media Intelligence & Insights Report 2025.
Para o especialista em finanças Marco Loureiro, sócio da XP Investimentos e líder regional da empresa no Centro-Oeste, é possível viajar sem comprometer o futuro financeiro, desde que exista planejamento.

“A questão principal é entender o impacto real da viagem no orçamento. O lazer é importante, mas deve estar inserido dentro de uma estratégia de longo prazo”, afirma.
Estratégia é o caminho
Loureiro defende que, com o apoio de um bom assessor de investimentos, o viajante pode estruturar uma reserva específica para lazer e viagens, sem afetar objetivos maiores, como a compra de um imóvel, a aposentadoria ou a formação de um patrimônio sólido.
“Viajar não precisa ser sinônimo de desequilíbrio financeiro. O segredo está em saber de onde sai esse dinheiro. Se vem de uma renda extra, de uma reserva já prevista ou de um resgate de investimentos, cada escolha tem um impacto distinto”, explica.
Atenção aos detalhes
O especialista recomenda ainda que, ao planejar a viagem, o consumidor leve em conta fatores como a variação cambial, o imposto sobre operações financeiras (IOF), taxas de cartão de crédito no exterior e o custo-benefício de cada modalidade de pagamento.
Entre as orientações práticas estão: aproveitar períodos de queda do dólar para comprar moeda com antecedência; evitar o uso excessivo do cartão de crédito internacional; e incluir a viagem no planejamento anual, ao lado de compromissos como seguros, investimentos e despesas fixas.
“Não se trata de abrir mão do presente, mas de vivê-lo com consciência. O planejamento permite que sonhos como viajar se realizem sem colocar em risco o amanhã”, conclui Loureiro.





