Mercado espera sexta alta seguida da Selic, com aumento de 0,5 ponto, chegando a 14,75%, maior nível em 19 anos

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Nova taxa básica de juros, a ser definida pelo Banco Central nesta semana, pode atingir o maior patamar em quase duas décadas

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Os diretores do Banco Central (BC) se reúnem nesta terça (06/05) e quarta-feira (07/05) para decidir o novo patamar da taxa básica de juros da economia brasileira. As projeções do mercado financeiro indicam a sexta alta consecutiva da Selic, desta vez de 0,5 ponto percentual, elevando-a para 14,75% ao ano.

Caso a elevação seja confirmada pelo Copom (Comitê de Política Monetária), a taxa de juros alcançará o maior nível desde julho de 2006. Na última reunião, quando a Selic subiu de 13,25% para 14,25%, o comitê sinalizou um novo ajuste “de menor magnitude”.

Além disso, o Copom reforçou que, a partir de maio, o ritmo do ciclo será guiado por seu “firme compromisso com a convergência da inflação à meta” e dependerá da evolução do cenário econômico. Por isso, o comunicado que será divulgado após esta reunião é aguardado com atenção, para entender se o ciclo de altas chegou ao fim.

“Acreditamos que o Copom elevará a taxa Selic em 0,5 ponto percentual na reunião de maio, deixando em aberto os próximos passos da política monetária. Discursos recentes de diretores do Banco Central apontam um tom mais cauteloso”, afirmou a equipe de economistas do C6 Bank, em nota.

Segundo os analistas da instituição, os indicadores mostram poucas mudanças no cenário inflacionário, apesar do aumento da incerteza no ambiente externo. As expectativas de inflação continuam elevadas e acima da meta estabelecida.

Evolução da Selic Luce

Inflação desacelera, mas mercado projeta continuidade na alta da Selic

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de abril será divulgado nesta sexta-feira (09/05) pelo IBGE. No entanto, a prévia da inflação — o IPCA-15 — já apontou desaceleração, com alta acumulada de 5,49% em 12 meses. Apesar da queda, o índice ainda está bem acima da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, de 3% ao ano.

Segundo nota do C6 Bank, o ciclo de alta da Selic deve continuar até junho, quando a taxa pode alcançar 15% ao ano. “Não descartamos, no entanto, a possibilidade de um patamar inferior, dadas as incertezas no cenário externo. Projetamos que a Selic se mantenha nesse nível até o fim de 2026”, afirmam os economistas do banco.

Ciclo de alta continua

Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o Copom pode optar por uma elevação de até 0,75 ponto percentual nesta reunião, embora uma alta menor, de 0,50 ponto, também esteja no radar. “O comitê deve dar continuidade ao ciclo de aperto monetário, conforme já sinalizado anteriormente. Nossa projeção é que a Selic chegue a 15,25% ao ano em 2025”, diz Sung.

O Itaú, em relatório recente, também mantém sua estimativa de fim de ciclo em 15,25% ao ano, alcançado na reunião de junho. A expectativa do banco é que esse patamar se mantenha até o final do ano.

“Esperamos duas altas de 0,50 ponto percentual nas próximas reuniões, embora tenhamos menos convicção quanto à segunda elevação — que dependerá do cenário internacional e de seus efeitos sobre o câmbio e os preços das commodities”, destaca o documento.

O que é a taxa Selic

A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Juros mais altos tornam o crédito mais caro, reduzindo o consumo e a produção. No entanto, também podem desacelerar o crescimento da economia.

Essa taxa é utilizada nas operações de empréstimo entre instituições financeiras e nas aplicações que os bancos fazem em títulos públicos federais. É também a base para os juros cobrados em empréstimos e financiamentos, que são sempre superiores à Selic.

Histórico recente

O atual ciclo de alta da Selic teve início em setembro do ano passado. Em novembro, a taxa subiu para 11,25% ao ano, com um aumento de 0,50 ponto percentual. Em dezembro, nova elevação de 1 ponto levou a taxa a 12,25%. Já em janeiro deste ano, outro ajuste de 1 ponto percentual elevou a Selic para 13,25%. No último encontro do Copom, em março, a taxa foi novamente aumentada em 1 ponto, atingindo os atuais 14,25% ao ano.

Da redação

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