Alvos da operação vão responder por uma gama de crimes, incluindo associação para o tráfico interestadual com uso de arma de fogo, porte ilegal de armas de uso restrito, comércio ilegal de armas, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro
ALT NOTÍCIAS
Uma megaoperação deflagrada nesta terça-feira (14/05) revelou o ousado e sofisticado esquema de “exportação” de criminosos de Mato Grosso e outros estados para reforçar o Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro. Sob o comando do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) e da 60ª DP (Campos Elíseos), as forças de segurança deram um duro golpe em uma das estruturas mais ramificadas da facção criminosa, com braços em pelo menos cinco estados.
A ofensiva, parte da Operação Contenção, escancarou a logística bélica e financeira do crime organizado, com ações simultâneas no Rio de Janeiro, Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Paraíba. Até o momento, dez criminosos foram presos, e as diligências seguem em ritmo intenso. No total, estão sendo cumpridos 22 mandados de prisão e até 39 mandados de busca e apreensão, conforme os órgãos envolvidos.
Tráfico Interestadual: Da Roça, Dom e a Máquina do Crime
Segundo o Ministério Público, o esquema era orquestrado por Luiz Carlos Bandeira Rodrigues, o “Da Roça” — articulador na comunidade da Muzema — e por Jonathan Ricardo de Lima Medeiros, o “Dom”, líder da célula paraibana do CV. Juntos, os dois gerenciavam uma rede de fornecimento de armas e drogas entre estados, abastecendo favelas estratégicas como o Complexo da Penha, Cidade de Deus, Alemão e Muzema, além de comunidades em Duque de Caxias.
Entre os alvos está também o traficante Doca, apontado como parte da cúpula que controla o Complexo da Penha. Segundo a investigação, é dali que saem as ordens para ampliar o domínio territorial do CV, principalmente na Zona Oeste do Rio, onde há embates sangrentos com milicianos.
“Exportação” de Criminosos e Armas de Guerra
Diferente de operações convencionais, o foco desta ofensiva está na movimentação de criminosos com “expertise” — homens com histórico em confrontos e atuação tática, “importados” para reforçar o braço armado da facção no Rio. Entre os locais vasculhados, está uma mansão em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, evidência da sofisticação financeira da quadrilha.
Em uma das residências, foram encontrados armamentos de grosso calibre e grande quantidade de dinheiro vivo. Até o momento, ainda não há um balanço final das apreensões, mas o rombo financeiro estimado é bilionário: só nesta fase, foi pedido o bloqueio de R$ 40 milhões em bens de pessoas físicas e jurídicas ligadas à facção. Em etapas anteriores, já foram congelados mais de R$ 6 bilhões.
Lavagem de Dinheiro, Falsidade Ideológica e Armas de Uso Restrito
Os alvos da operação vão responder por uma gama de crimes, incluindo associação para o tráfico interestadual com uso de arma de fogo, porte ilegal de armas de uso restrito, comércio ilegal de armas, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. As investigações apontam que, em apenas um mês, a movimentação financeira ilegal superou a marca de R$ 5 milhões.
Força-Tarefa Nacional e Internacional
O cerco ao CV contou com apoio de forças de segurança de vários níveis. Além das polícias civis de MT, SP e RO, participaram a Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal, o Exército Brasileiro e até o Homeland Security Investigations, dos Estados Unidos, em uma articulação internacional contra o crime organizado.
Segundo o Gaeco, trata-se de uma estrutura “minuciosa e altamente profissionalizada”, que exige uma resposta à altura. “O objetivo é desarticular completamente a engrenagem que sustenta o poder bélico e financeiro da facção. Essa não é apenas mais uma operação — é um freio no avanço da guerra promovida pelo tráfico em várias regiões do país”, diz um dos promotores envolvidos.
Da redação





