A distribuição ocorrerá fora do sistema de emendas, com repasses diretos da pasta comandada por Alexandre Padilha (PT-SP).
O governo Lula articulou a liberação de R$ 3 bilhões em verbas do Ministério da Saúde para aliados no Congresso, com um detalhe: a orientação é manter o nome dos parlamentares em sigilo. O escândalo foi revelado pelo UOL na manhã desta sexta-feira (16). A distribuição ocorrerá fora do sistema de emendas, com repasses diretos da pasta comandada por Alexandre Padilha (PT-SP).
Parlamentares receberam na semana passada uma instrução por escrito para que os pedidos sejam feitos por prefeitos, via protocolo digital, sem mencionar os deputados ou senadores responsáveis. A ideia, segundo fontes, é preservar o “controle político” nas mãos da cúpula do Planalto.
Cada deputado poderá indicar até R$ 5 milhões e senadores até R$ 18 milhões, mas quem votou contra o governo no BPC terá o valor reduzido em até 40%. O critério foi interpretado por congressistas como uma forma de “castigar os infiéis” e premiar apenas os “obedientes”.
Na Câmara, a interlocução será feita por Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-responsável pelas planilhas do orçamento secreto. No Senado, o repasse será coordenado pela chefe de gabinete de Davi Alcolumbre, Ana Paula Magalhães Lima.
A verba será dividida entre MAC e PAP no SUS, priorizando municípios indicados pela base aliada. Apesar de não ter respaldo legal como as emendas, os valores extras se tornaram vitais para prefeituras, que usam esse dinheiro para manter serviços básicos e cobrir folha de pagamento.
O Planalto alega que os critérios são técnicos, mas não explicou o motivo do sigilo nas indicações. A manobra reedita práticas do orçamento secreto sob nova roupagem. A falta de transparência reacende a pressão sobre o Congresso, já cobrado pelo STF a seguir regras claras para os repasses.
PNN





