Com metade do corpo docente formado por contratados temporários, universidade alerta para colapso na qualidade do ensino e exige do governador Mauro Mendes autorização imediata para novo certame
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A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) vive um dos momentos mais críticos de sua história. Sem a realização de concurso público há 13 anos, a instituição sobrevive com metade de seu corpo docente composto por professores substitutos, contratados temporariamente e submetidos à constante renovação de vínculos. O alerta foi dado nesta semana pelo professor Domingo Sávio, docente da Unemat e tesoureiro da Associação dos Docentes, durante visita à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), onde buscou apoio político para pressionar o Governo do Estado.
“Estamos há 13 anos sem concurso público. Isso criou um cenário extremamente delicado, onde 50% dos professores da Unemat são substitutos. No serviço público isso já é ruim, mas numa universidade é calamitoso”, denunciou o professor.
Segundo ele, esse tipo de vínculo precariza o ensino, a pesquisa e a extensão, pilares fundamentais da vida acadêmica.
“A universidade precisa de estabilidade para amadurecer projetos e formar profissionais qualificados”, afirmou.
Atualmente, a Unemat conta com cerca de 1.500 docentes, mas apenas 730 são efetivos. Os demais atuam por meio de contratos temporários.
“Essa fragilidade compromete diretamente a qualidade da educação superior pública oferecida no Estado”, ressaltou Domingo Sábio.
Entre os efetivos, apenas 500 são doutores e há carência em todas as áreas de formação e em todos os 13 campi da instituição, além de cerca de 20 municípios onde a Unemat mantém turmas fora de sede.

A reivindicação por um novo concurso público se arrasta há pelo menos cinco anos. Apesar de o orçamento prever recursos para a contratação de novos docentes – conforme estabelecido na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) – o governo Mauro Mendes (União Brasil) ainda não autorizou a realização do certame. Com a aproximação do calendário eleitoral, a preocupação é que o prazo para viabilizar legalmente o concurso fique comprometido.
“Temos um tempo muito curto. Se o governador não autorizar o concurso agora, corremos o risco de não conseguir fazer nada antes da eleição, e aí só em 2027. Isso seria trágico para a universidade”, advertiu o professor.
Em busca de apoio, representantes da Unemat se reuniram com o presidente da ALMT, deputado Max Russi (PSB), que se comprometeu a interceder junto ao Executivo. Também houve conversa com o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), mas, segundo os docentes, ainda não há garantia oficial do Palácio Paiaguás.
“A universidade não pode mais esperar. A educação pública superior em Mato Grosso está em risco. É hora de o governo agir”, concluiu Domingo Sávio.





