“Isso aqui é Auschwitz sem câmara de gás”, diz advogado em crítica ao STF

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Segundo ele, o ministro Alexandre de Moraes estaria “substituindo as partes” ao negar intimações de testemunhas de defesa e privilegiar apenas as da acusação.

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O advogado criminalista Jeffrey Chiquini rasgou o verbo ao fazer críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante participação no Bunker Podcast, exibido na quarta-feira (16). Em mais de uma hora e meia de entrevista, Chiquini questionou decisões do ministro Alexandre de Moraes, denunciou ilegalidades nos processos ligados ao 8 de janeiro e classificou o momento atual como “um estado de exceção judicial”.

Chiquini afirmou que o STF tem atuado fora dos limites constitucionais. “Tudo que eles estão fazendo é porque querem. Não achem que é erro. É dolo direto, de primeiro grau. Isso aqui não é mais justiça”, declarou. Segundo ele, o ministro Alexandre de Moraes estaria “substituindo as partes” ao negar intimações de testemunhas de defesa e privilegiar apenas as da acusação.

Ao tratar do processo de Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, o advogado foi enfático: “A prova que usaram pra dizer que ele saiu do Brasil é falsa. Nome errado, número de passaporte errado. Isso é ilegal. É um caso aberrante”. Chiquini ainda denunciou a dificuldade de acesso à geolocalização do cliente: “Eles dizem que ele estava em Brasília com base na ERB. Eu peço a ERB e não me dão. Isso é uma afronta à Súmula 14 do STF”.

Chiquini também comparou o atual cenário ao da Lava Jato, mas apontou que os reflexos podem ser ainda piores. “Lá nos Estados Unidos, quando teve Lava Jato, o foco foi recuperar o dinheiro. Aqui, querem prender e preservar o patrimônio. O Brasil tá com mentalidade atrasada”, disse.

Durante a entrevista, o advogado acusou o STF de promover um “jogo de cartas marcadas”. “Esses processos já têm sentença pronta. Tudo foi montado pra acabar rápido e condenar antes de 2026. Não existe imparcialidade. O ministro julga e acusa ao mesmo tempo”, afirmou.

O advogado ainda sugeriu que o sistema de justiça brasileiro está falido e criticou a falta de ação do Senado. “O Senado se acovardou. Os senadores têm medo de processo, medo da mídia. O poder é um só no Brasil: o Judiciário. É um país de um único poder”.

A entrevista também abordou casos emblemáticos, como o da dona de casa Débora dos Santos. “O que ela fez não é nem crime ambiental. Um batom na estátua não tem potencial ofensivo. Mesmo assim, querem manter ela presa. Isso é pra calar o povo. Ela virou símbolo de resistência”, disse Chiquini.

Ao final, o advogado alertou para os efeitos a longo prazo. “Esse processo vai passar, mas os vícios e ilegalidades vão se repetir. Tudo que estão fazendo hoje será replicado em processos futuros. O direito brasileiro, como conhecemos, já foi para o buraco”.

Ainda que crítico, Chiquini se mostrou esperançoso com a renovação política. “Se houver jogo limpo, Lula não se reelege. O Senado vai virar. Aí, sim, teremos forças para reagir. Mas sem um presidente peitudo e um Senado forte, nada muda. O povo tem que acordar. Isso aqui é um divisor de águas”.

Fonte: PNN

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