Supremo usou a comoção nacional em torno do ataque às instituições para justificar ações judiciais e prisões em massa, abrindo espaço para um regime de exceção
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Brasília – Em uma fala que provocou reações intensas no campo político, o presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, afirmou que os eventos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes patriotas invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília, “não têm cabimento como golpe de Estado” e acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de estar protagonizando um processo autoritário de ruptura constitucional.
“A esquerda está ajudando a construir a ditadura que está sendo implantada no Brasil”, declarou Pimenta em vídeo divulgado recentemente no Twiter X.
Contrariando o discurso unificado de grande parte da esquerda e do centro democrático, que classificaram o episódio como uma tentativa de golpe, o dirigente do PCO argumentou que a narrativa de golpe serviu como “pretexto para o STF concentrar poderes que só o Regime Militar brasileira teve até hoje.”
Segundo ele, o Supremo teria usado a comoção nacional em torno do ataque às instituições para justificar ações judiciais e prisões em massa, abrindo espaço para um regime de exceção.
“A tese do golpe serviu para fortalecer a ditadura do STF. O Supremo aboliu a Constituição Nacional. Não tem mais lei no país”, disparou Costa.
Pimenta ainda criticou o entusiasmo de setores da esquerda com as possíveis condenações de Jair Bolsonaro, alegando que isso representaria uma “vitória ilusória”.
“A esquerda pequeno-burguesa acha que a condenação de Bolsonaro vai ser uma grande vitória da democracia. Mas isso é bobagem. Você condenar alguém num processo farsa, que dá poderes extraordinários ao Estado capitalista, não é defesa da democracia. É uma ditadura, seja lá contra quem for.”
A fala, de tom incendiário, causou desconforto até mesmo entre aliados históricos da esquerda radical. O PCO, conhecido por sua postura crítica ao Judiciário e à esquerda institucional, já havia se isolado em outras ocasiões por defender posições contrárias à narrativa predominante entre os partidos – dito – progressistas, inclusive em temas como pandemia e liberdade de expressão nas redes sociais.
Especialistas apontam que o discurso de Rui Costa Pimenta reflete um crescente ceticismo entre correntes da esquerda radical em relação ao papel do Judiciário na conjuntura política nacional, embora alertem para os riscos de minimizar atos que atentam contra a democracia.
“Criticar excessos do Judiciário é legítimo, mas colocar no mesmo patamar as decisões do STF e os ataques de 8 de janeiro beira a negação da realidade dos fatos”, afirma a cientista política Helena Barreto, da Universidade de Brasília (UnB).
O Supremo Tribunal Federal, até o momento, não comentou oficialmente as declarações. Enquanto isso, o Brasil segue dividido entre interpretações sobre os limites da defesa institucional e os perigos da judicialização extrema da política.
Por Jota Passarinho





