Presidente do Imac, Caio Penedo, destaca liderança de Mato Grosso no setor e fala do evento que será promovido em Cuiabá.
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Em clima de celebração e expectativas promissoras, o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) realizou na noite de terça-feira (3), no hotel Deville, em Cuiabá, o lançamento oficial do 1º Congresso da Carne, que acontecerá entre os dias 27 e 30 de outubro de 2025, na capital mato-grossense , onde reunirá representantes de mais de 20 países.
O evento reuniu cerca de 200 pessoas, entre empresários, produtores rurais, autoridades e profissionais da imprensa no local, sendo um momento histórico para o Brasil e especialmente para o Estado, que se consolida como uma das maiores potências globais da pecuária sustentável.
Durante o lançamento, o presidente do Imac, Caio Penedo, ressaltou o protagonismo de Mato Grosso na produção de carne bovina e na adoção de práticas sustentáveis.
Segundo ele, o Estado está sempre à frente das principais discussões mundiais do setor.
“Mato Grosso sempre está na frente. A gente viaja o mundo — passamos agora pela Ásia e Europa — e precisamos explicar que aqui temos muita iniciativa. Sempre estamos na vanguarda. Isso é uma característica dos empreendedores que vieram ou já estavam aqui. Estar à frente desse debate é o que nos trouxe o Congresso Mundial da Carne para Mato Grosso, para Cuiabá”, destacou Penedo.
A realização do congresso no Brasil pode reforçar o reconhecimento internacional dos avanços do país na pecuária.
A Aliança Mundial da Carne, da qual o Imac faz parte, foi um dos pilares para que o evento fosse sediado em solo mato-grossense.
Interesse global
Com foco em sustentabilidade, inovação tecnológica e segurança alimentar, o congresso pretende debater temas cruciais para o futuro da cadeia produtiva. Para Caio Penedo, a participação ativa de Mato Grosso nessas pautas tem despertado o interesse internacional e contribuído para a expansão de mercados.
“É importante estarmos sempre na mesa das decisões. Quem não faz, recebe feito. A nossa proposta é discutir de frente a rastreabilidade, o código florestal, qualidade, carbono e sanidade. O mundo precisa entender que o Brasil tem soluções e, mais do que isso, lidera muitas dessas soluções”, afirmou.
Em coletiva à imprensa, o presidente do Imac, Caio Penedo. Foto: Leandro Balbino.
O presidente do Imac lembrou ainda que muitos países exigem padrões rigorosos sob o pretexto de preocupações ambientais, mas que, em muitos casos, as exigências escondem barreiras comerciais. Por isso, segundo ele, é essencial que o Brasil se antecipe e demonstre com dados a sustentabilidade da carne produzida aqui.
“Não é desmatamento zero, é desmatamento ilegal zero. Temos o código florestal mais rigoroso do mundo, mais de 62% do território de Mato Grosso destinado à conservação. Nosso gado é majoritariamente a pasto, de baixo carbono. E agora, com rastreabilidade, conseguimos provar isso”, explicou.
Oportunidade
Segundo Penedo, o congresso será uma oportunidade única para o Brasil apresentar sua excelência e quebrar paradigmas.
“Estamos levando churrasco para Pequim, Xangai, Europa. Mostrando que a nossa carne tem qualidade igual ou superior à americana ou australiana. Isso assusta o mundo. Temos 10 milhões de hectares que podem ser recuperados para produção. É uma ameaça comercial para eles, mas uma oportunidade para nós”, afirmou.
Além da carne bovina, o evento vai incluir debates sobre suínos, frangos e ovinos, refletindo a diversidade da produção brasileira. Entre os temas transversais estão saúde humana, comparação com proteínas vegetais, tropicalização de protocolos de carbono (GHG), sucessão familiar, inovação tecnológica e expansão de mercados.
Mercados asiáticos e árabes
O presidente do Imac destacou que o foco estratégico do estado está voltado à China, principal destino da carne mato-grossense, além de regiões como Vietnã, Coreia do Sul, Japão e países do Oriente Médio e Norte da África.
“A China é nosso grande mercado, mas países como Indonésia, Paquistão, Egito e Nigéria têm alto crescimento populacional e são consumidores de proteína animal. Precisamos formar alianças comerciais sólidas nessa região”, pontuou.
Brasil livre da febre aftosa
Embora não haja uma ligação direta, Penedo acredita que o recente reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), reforça ainda mais o peso do país nas negociações internacionais.
“Isso nos iguala a outros grandes produtores. A partir de agora, vamos poder acessar mercados como o Japão, que estavam fechados. Isso nos coloca na cabeceira da mesa”, disse.
Expectativa
O congresso também promete gerar novos negócios, além de ser um espaço para a troca de ideias, pesquisas e inovações.
“Hoje é uma festa de Mato Grosso, mas o congresso será um momento de pensar globalmente. Cada país trará suas soluções em sustentabilidade e tecnologia. O Brasil tem muito a mostrar — e muito a aprender também. Esperamos que todos participem: governo federal, juventude, produtores. É hora de capitalizarmos esse momento como estado e como país”, concluiu.
Apoio
O congresso terá apoio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec), que promove estratégias de desenvolvimento econômico para o estado, da International Meat Secretariat (IMS), entidade internacional que realiza o congresso bienalmente em diferentes países, além da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), sendo única entidade brasileira participante do fórum internacional do evento.
Países ainda não confirmados
Até o momento, os organizadores do 1º Congresso da Carne em MT não confirmaram a lista completa dos países participantes. No entanto, é esperado que o evento reúna representantes de mais de 20 países, incluindo grandes produtores e consumidores globais de proteína animal. Em edições anteriores do Congresso Mundial da Carne, países como Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Holanda, China, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, França, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, México, Brasil, África do Sul, Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Vietnã estiveram presentes. A expectativa do Imac é que esses países também participem da edição deste ano em Cuiabá, porque o convite será feito e terá o reforço das autoridades estaduais e federais.





