Renovação automática da concessão à Energisa preocupa Assembleia Legislativa de MT

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Deputado Max Russi afirma que decisão sobre fornecimento de energia por mais 30 anos precisa passar por debate amplo e transparente com foco nos interesses da população

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A possível renovação automática da concessão do sistema de energia elétrica para a Energisa no estado de Mato Grosso tem gerado intensa preocupação na Assembleia Legislativa. O tema foi pauta de uma Audiência Pública realizada na semana passada, convocada pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD), que reuniu autoridades, parlamentares e representantes do setor elétrico para debater os impactos e a legalidade da medida.

De acordo com representantes do Ministério de Minas e Energia, um decreto publicado em 2023 prevê a possibilidade de renovação automática da concessão por mais 30 anos à empresa Energisa, que atualmente detém o controle da distribuição de energia no estado. No entanto, para o presidente da ALMT, deputado Max Russi (PSB), a proposta não pode ser simplesmente referendada sem uma análise profunda e participação social efetiva.

“Essa renovação automática nos preocupa. Acho que esse debate precisa ser feito com seriedade. Temos regiões inteiras do estado onde a energia não chega, onde o atendimento é precário, e onde os investimentos simplesmente não acontecem”, afirmou Russi.

O parlamentar destaca ainda que a deficiência no fornecimento de energia compromete diretamente o desenvolvimento econômico do estado, especialmente no setor agrícola. Segundo ele, a expansão da irrigação — fundamental para garantir uma segunda e até terceira safra — depende de infraestrutura energética adequada.

“Temos muitas reclamações da população e dos empresários. Sem energia, não tem investimento, não tem crescimento. Então, como líder da Casa e representante do povo, não concordo com essa ideia de renovação automática. Isso precisa ser discutido com transparência”, reforçou o deputado.

A Assembleia Legislativa já realizou, no passado, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades nos serviços prestados pela Energisa em Mato Grosso, o que evidenciou falhas sistêmicas e falta de compromisso com a qualidade do fornecimento.

Max Russi destacou ainda que o lucro recente da concessionária — embora legítimo — deveria ser acompanhado de contrapartidas mais robustas em investimentos no estado.

“Nada contra o lucro, mas ele tem que vir acompanhado de investimento. Se vai haver renovação, que seja com compromisso firme com o consumidor, com o cidadão que está na ponta, sofrendo com a falta de energia”, declarou.

A mobilização na ALMT já está em andamento. O deputado Wilson Santos articula uma frente parlamentar para fiscalizar o processo e pressionar por uma possível licitação, caso se confirme a intenção de renovar automaticamente o contrato com a Energisa.

“Se for para renovar, que se mostre o que Mato Grosso vai ganhar com isso. Não dá para garantir mais 30 anos sem segurança de que as necessidades da população serão atendidas”, concluiu Max Russi.

A Assembleia promete seguir atenta e atuante no tema, exigindo garantias concretas antes que qualquer decisão definitiva seja tomada.

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