A estratégia do Supremo, que avança com mais de 80 investigações sobre parlamentares, é vista por analistas como uma jogada que atinge o centro da dinâmica política.
STF vai mirar processos de parlamentares do ‘Orçamento Secreto’ em nova ofensiva contra o Congresso
A estratégia do Supremo, que avança com mais de 80 investigações sobre parlamentares, é vista por analistas como uma jogada que atinge o centro da dinâmica política.

O Supremo Tribunal Federal (STF) acendeu um novo estopim na crise institucional ao se preparar para julgar o primeiro caso de desvio envolvendo emendas parlamentares, um resquício do chamado “orçamento secreto”. Este avanço decisivo ocorre em meio a um forte desgaste entre os Poderes e abusos do Judiciário, menos de um ano antes das eleições de 2026, inaugurando uma nova frente de tensão com o Congresso Nacional.
O caso, relatado por Cristiano Zanin, mira nos deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e no suplente Bosco Costa (PL-SE). A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa o grupo de exigir propina, a chamada “rachadinha”, para liberar cerca de R$ 6 milhões em emendas de saúde. Tais recursos teriam sido destinados entre o final de 2019 e o início de 2020, sob o mecanismo de baixa transparência declarado inconstitucional pelo Supremo em 2022.
A estratégia do Supremo, que avança com mais de 80 investigações sobre parlamentares, é vista por analistas como uma jogada que atinge o centro da dinâmica política, colocando deputados sob risco real de responsabilização criminal. A tensão se intensifica após a prisão de Jair Bolsonaro, o que já reacendeu críticas da oposição ao ministro Alexandre de Moraes, e gera a percepção, na classe política, de um possível “jogo casado” entre STF e o governo.
Enquanto a oposição trabalha para formar maioria no Senado em 2026 e pressionar o Supremo com pedidos de impeachment, o Legislativo reage corporativamente à investida do Judiciário. O Congresso avança com projetos que buscam reduzir o poder dos ministros, como propostas que restringem decisões individuais. A abertura de investigações em ano eleitoral é um movimento que amplia o clima de confronto e pressiona o Congresso.





