Governo do estado de Vitória afirma que medida foi necessária após incêndio florestal; especialistas e ativistas denunciam ação como desproporcional e cruel
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A execução de cerca de 750 coalas por franco-atiradores a bordo de helicópteros no Parque Nacional Budj Bim, no sul da Austrália, gerou forte comoção e críticas dentro e fora do país. A operação, autorizada pelo Departamento de Energia, Meio Ambiente e Clima (DEECA) do estado de Vitória, foi justificada como uma medida “humanitária” diante das consequências de um incêndio florestal que devastou parte da reserva natural em março deste ano.
Segundo o governo estadual, os animais abatidos estavam gravemente feridos ou debilitados, em consequência direta do fogo que destruiu cerca de 2.200 hectares da vegetação local — o equivalente a 20% da área do parque. Sem acesso adequado a alimento e em estado de sofrimento, os coalas foram mortos com disparos feitos por atiradores profissionais contratados pelo governo.
“Foi uma decisão tomada com base em avaliações exaustivas. As condições do terreno impedem o acesso seguro por terra, e muitos dos coalas estavam no alto das árvores, o que dificultou qualquer tentativa de resgate convencional”, declarou James Todd, porta-voz do DEECA, em entrevista à Vox Magazine.
Apesar da explicação oficial, a medida tem sido duramente criticada por ativistas e especialistas em conservação. Organizações como a Aliança pelos Coalas e o partido Justiça Animal questionam tanto a necessidade quanto os métodos da ação. Uma das principais críticas recai sobre a falta de verificação adequada antes dos abates, especialmente no caso de fêmeas que poderiam estar com filhotes.
“Parece uma abordagem indiscriminada”, afirmou Rolf Schlagloth, pesquisador da CQUniversity Austrália especializado em coalas. “O resgate deveria ser sempre a primeira opção. Essa ação evidencia falhas estruturais na forma como a espécie e seu habitat são geridos.”
Além da comoção causada pelas imagens de coalas sendo mortos de forma tão direta, o episódio reacendeu discussões sobre o manejo das florestas australianas e a expansão de plantações comerciais de eucalipto nas redondezas do Parque Budj Bim. De acordo com especialistas da Universidade de Melbourne, a derrubada dessas plantações, que atraem os coalas devido à abundância de alimento, acaba forçando os animais a se aglomerarem em áreas menores e mais vulneráveis, como o parque nacional — o que pode ter agravado os efeitos do incêndio.
“Os incêndios são fenômenos naturais, mas uma floresta mais saudável e conectada pode reduzir seu impacto”, afirmam as pesquisadoras Liz Hicks e Ashleigh Best em artigo no The Conversation. “A concentração de coalas em Budj Bim está diretamente relacionada à destruição de seu habitat original.”
A ação do governo de Vitória, ainda que respaldada por argumentos técnicos, expôs a complexidade e os dilemas éticos envolvidos na conservação de espécies ameaçadas. Enquanto isso, o debate sobre o equilíbrio entre intervenção emergencial e preservação continua ganhando força — com a população de coalas, mais uma vez, no centro das atenções mundiais.
Da redação com informações do site: https://www.xataka.com.br/





