Governo recua após críticas e altera aumento do IOF em operações internacionais; veja como ficam as novas alíquotas

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Expectativa era arrecadar R$ 20,5 bilhões ainda este ano com as mudanças exorbitantes, e R$ 41 bilhões em 2026

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O governo federal publicou um novo decreto que altera as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em diversas transações internacionais. A medida, que inicialmente previa aumentos expressivos — em alguns casos, de até 10 vezes — foi parcialmente revogada após fortes críticas do mercado financeiro.

O decreto original, que revertia a decisão do governo anterior de extinguir gradualmente o IOF até 2029, previa elevações em várias modalidades. Entre os principais pontos estava o aumento da alíquota de IOF de 0,38% para 3,5% em operações não especificadas, o que representaria um salto de quase 10 vezes.

A proposta fazia parte de um esforço para reforçar o cumprimento do novo arcabouço fiscal, anunciado no mesmo dia em que o governo congelou R$ 31,3 bilhões do Orçamento de 2025. A expectativa era arrecadar R$ 20,5 bilhões ainda este ano com as mudanças e R$ 41 bilhões em 2026.

Além disso, o decreto previa aumento de IOF sobre remessas internacionais, compras com cartões de crédito internacionais e a compra de moeda estrangeira em espécie. Também incluía a tributação de investimentos feitos por fundos brasileiros em ativos no exterior, que até então estavam isentos.

Outro ponto de destaque era o aumento da alíquota do IOF sobre operações de crédito para empresas: de 1,88% ao ano para 3,95%. Para empresas optantes pelo Simples Nacional, a alíquota subiria de 0,88% para 1,95% ao ano.

No segmento de previdência privada, os planos do tipo Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) passariam a ter IOF de 5% em aportes mensais acima de R$ 50 mil — anteriormente, não havia cobrança.

Diante da reação negativa de agentes do mercado e especialistas, o governo decidiu recuar em parte das medidas. O novo texto do decreto revoga os aumentos mais severos, mas ainda mantém ajustes em algumas alíquotas. A expectativa agora é que o Executivo apresente alternativas para equilibrar a arrecadação sem gerar tanto impacto nas transações internacionais.

Recuo após críticas e revisão do decreto

A repercussão do aumento do IOF foi imediata e em poucos minutos as críticas tomaram conta das redes sociais. Diante de críticas de analistas do mercado financeiro e empresários, o governo convocou uma reunião de emergência com integrantes da Casa Civil, Secretaria de Comunicação e Ministério da Fazenda. Após avaliação técnica, dois pontos foram revistos e o decreto foi retificado em edição extra do Diário Oficial da União publicada na madrugada do dia 23.

Foram restauradas as seguintes condições:

  • Alíquota zero para aplicações de fundos brasileiros no exterior: o governo reconheceu que a taxação de 3,5% sobre essas aplicações configurava controle de fluxo de capitais, o que geraria insegurança jurídica.
  • Manutenção da alíquota de 1,1% para remessas internacionais destinadas a investimento: a redação anterior sugeria aumento para 3,5%, o que foi descartado.

Como ficam as novas alíquotas do IOF

Conforme o novo decreto, seguem as alíquotas atualizadas para as principais operações:

Operação Alíquota anterior Nova alíquota
Cartão de crédito/débito internacional 3,38% 3,5%
Cartão pré-pago e cheques de viagem 3,38% 3,5%
Compra de moeda em espécie 1,1% 3,5%
Empréstimo externo de curto prazo 0% 3,5%
Remessa para investimento no exterior 1,1% 1,1% (sem aumento)
Fundos brasileiros no exterior 0% 0% (mantida isenção)
Operações não especificadas (saída) 0,38% 3,5%

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