Já para seus adversários, a mudança representa uma tentativa de…
Nos últimos meses, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, tem intensificado sua presença nos municípios do estado, adotando uma postura diferente daquela vista durante os anos em que esteve à frente do Executivo. Em visitas ao interior, é comum vê-lo vestido de maneira simples, conversando com moradores, sorrindo, tirando fotos e mantendo um contato mais próximo da população.
A mudança de imagem chama a atenção de quem acompanhou sua trajetória política. Durante o período em que exercia o cargo de governador, Mauro Mendes era frequentemente visto em eventos oficiais usando terno e gravata, cercado por uma estrutura de segurança e assessores. Para muitos críticos, o acesso ao governador era restrito, inclusive para parte da imprensa.
Agora, em um cenário de articulações políticas e aproximação com o eleitorado, a estratégia parece diferente: um político mais acessível, presente nas comunidades e disposto a ouvir a população. Para apoiadores, trata-se de um gestor que busca estar próximo dos cidadãos. Já para seus adversários, a mudança representa uma tentativa de reconstruir sua imagem diante de um novo momento político.
Entretanto, há um grupo que ainda demonstra forte resistência ao governador: os pescadores profissionais de Mato Grosso, especialmente na Baixada Cuiabana.
A principal razão é a chamada Lei do Transporte Zero, sancionada durante sua gestão. A medida proibiu, por determinado período, o transporte, armazenamento e comercialização de diversas espécies de peixes dos rios mato-grossenses, permitindo apenas a pesca para consumo próprio em determinadas condições. O governo justificou a decisão como uma ação necessária para preservar os estoques pesqueiros e combater a pesca predatória.
Por outro lado, representantes dos pescadores afirmam que a legislação atingiu diretamente milhares de famílias que dependiam da pesca profissional para sobreviver. Segundo eles, pais de família, avós e trabalhadores tradicionais perderam sua principal fonte de renda, gerando dificuldades econômicas que ainda persistem em várias comunidades ribeirinhas.
Em muitos municípios da Baixada Cuiabana, o sentimento de parte dessa categoria permanece de indignação. Há quem considere Mauro Mendes um “traidor”, argumentando que recebeu apoio político desses trabalhadores em diferentes eleições e, posteriormente, aprovou uma medida que afetou profundamente seu modo de vida.
Apesar da nova postura adotada nas ruas e da aproximação com o eleitorado, a memória dos impactos da legislação continua presente entre muitos pescadores. Para eles, a mudança de comportamento não apaga as consequências econômicas e sociais atribuídas à política do Transporte Zero.
O debate, no entanto, permanece dividido. Enquanto entidades ambientais e setores do governo defendem que a restrição é fundamental para a recuperação das espécies e a preservação dos rios, pescadores e seus representantes sustentam que a medida penalizou justamente aqueles que exerciam a atividade de forma legal, sem resolver definitivamente o problema da pesca predatória.
Com as próximas disputas eleitorais no horizonte, Mauro Mendes volta a percorrer os municípios de Mato Grosso em busca de diálogo e apoio popular. Resta saber se a nova imagem de político mais próximo do povo será suficiente para reconquistar a confiança de uma parcela do eleitorado que afirma ainda sentir os efeitos das decisões tomadas durante sua gestão.
Da Redação
Parmenas Alt






