Golpe usa nome do TSE para cobrar falsa taxa de regularização

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Golpistas usam o nome do TSE e dados reais de eleitores para cobrar taxas falsas de regularização do título. Saiba como se proteger

Às vésperas do segundo turno das eleições de 2026, golpistas usam o nome do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cobrar uma falsa taxa de regularização do título de eleitor. As mensagens citam o CPF das vítimas e direcionam para páginas que imitam os canais oficiais.

A fraude explora o receio de eleitores de enfrentar problemas para votar. A Justiça Eleitoral não cobra pelos serviços de emissão e atualização do título nem solicita pagamentos ou dados pessoais e bancários por WhatsApp, SMS ou e-mail.

Confira os serviços gratuitos da justiça eleitoral
O TSE reforça que todos os serviços de emissão, transferência e atualização do título de eleitor são gratuitos. Em caso de dúvidas, acesse os canais oficiais da Justiça Eleitoral, como o e-Título. Imagem: xm4thx / Shutterstock

Como funciona o golpe

As mensagens alegam que existe uma pendência vinculada ao CPF da vítima. Ao clicar no link, o eleitor é direcionado a uma página falsa, onde pode ser pressionado a pagar por Pix ou boleto para evitar supostas restrições a documentos e serviços públicos.

O uso de dados verdadeiros ajuda a dar credibilidade à abordagem. Gustavo Marquini, especialista em segurança digital e fundador do ecossistema Davi, explica que a fraude combina a credibilidade da Justiça Eleitoral, a atenção despertada pelo período de votação e o uso de dados reais das vítimas, como o CPF, para dar aparência de legitimidade às mensagens.

A estratégia é conhecida como engenharia social: em vez de explorar uma falha tecnológica, os criminosos manipulam a confiança e a preocupação da vítima. Como explica o especialista, o objetivo é fazer com que o eleitor aja por medo de estar irregular.

Como se proteger de cobranças falsas

O calendário eleitoral é um dos elementos que ajudam a identificar a fraude. O cadastro está fechado desde 7 de maio e será reaberto em 3 de novembro. Até lá, não é possível solicitar alistamento, transferência ou revisão cadastral. O pagamento de uma multa, por si só, também não regulariza um título cancelado para o segundo turno.

Isso não significa que todas as multas eleitorais sejam falsas. Pode haver cobrança legítima por ausência às urnas sem justificativa, mas o eleitor deve consultar a pendência e verificar as formas de pagamento diretamente nos canais oficiais. Em pagamentos por Pix de multas eleitorais, o destinatário deve ser o Tesouro Nacional.

Alguns cuidados ajudam a evitar que uma mensagem fraudulenta resulte em prejuízo:

  • Confira o endereço do site: os canais oficiais da Justiça Eleitoral usam o domínio jus.br, como tse.jus.br. Verifique o endereço completo, sem confiar apenas no logotipo ou no cadeado do navegador.
  • Não use links recebidos por mensagem: se houver dúvida sobre a situação eleitoral, acesse diretamente o site do TSE ou consulte o aplicativo e-Título.
  • Desconfie da urgência: ameaças de bloqueio e exigências de pagamento imediato são sinais para interromper o contato e verificar a informação por um canal oficial.

As tentativas de fraude podem continuar depois da eleição, com mensagens que aleguem a necessidade de atualizar dados quando o cadastro reabrir. Por isso, a recomendação é manter a mesma cautela mesmo após o segundo turno.

Fachada do TSE
Sites oficiais da Justiça Eleitoral utilizam obrigatoriamente a extensão jus.br em seus endereços na web. – Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Suspeita envolvendo urna exige apuração

A desinformação sobre as eleições também pode ganhar força a partir de ocorrências reais, mas interpretadas fora de contexto.

No primeiro turno, uma urna eletrônica em Candelária (RS) precisou ser substituída após a tecla 3 travar. A Justiça Eleitoral informou que investigaria a suspeita de uso de cola ou outra interferência no equipamento. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), os votos registrados antes da troca foram preservados.

A ocorrência, por si só, não comprova fraude no sistema de votação. Diante de qualquer problema com a urna, o eleitor deve avisar os mesários e evitar tirar conclusões antes da divulgação de informações oficiais.

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