Às vésperas do segundo turno das eleições de 2026, golpistas usam o nome do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cobrar uma falsa taxa de regularização do título de eleitor. As mensagens citam o CPF das vítimas e direcionam para páginas que imitam os canais oficiais.
A fraude explora o receio de eleitores de enfrentar problemas para votar. A Justiça Eleitoral não cobra pelos serviços de emissão e atualização do título nem solicita pagamentos ou dados pessoais e bancários por WhatsApp, SMS ou e-mail.

Como funciona o golpe
As mensagens alegam que existe uma pendência vinculada ao CPF da vítima. Ao clicar no link, o eleitor é direcionado a uma página falsa, onde pode ser pressionado a pagar por Pix ou boleto para evitar supostas restrições a documentos e serviços públicos.
O uso de dados verdadeiros ajuda a dar credibilidade à abordagem. Gustavo Marquini, especialista em segurança digital e fundador do ecossistema Davi, explica que a fraude combina a credibilidade da Justiça Eleitoral, a atenção despertada pelo período de votação e o uso de dados reais das vítimas, como o CPF, para dar aparência de legitimidade às mensagens.
A estratégia é conhecida como engenharia social: em vez de explorar uma falha tecnológica, os criminosos manipulam a confiança e a preocupação da vítima. Como explica o especialista, o objetivo é fazer com que o eleitor aja por medo de estar irregular.
Como se proteger de cobranças falsas
O calendário eleitoral é um dos elementos que ajudam a identificar a fraude. O cadastro está fechado desde 7 de maio e será reaberto em 3 de novembro. Até lá, não é possível solicitar alistamento, transferência ou revisão cadastral. O pagamento de uma multa, por si só, também não regulariza um título cancelado para o segundo turno.
Isso não significa que todas as multas eleitorais sejam falsas. Pode haver cobrança legítima por ausência às urnas sem justificativa, mas o eleitor deve consultar a pendência e verificar as formas de pagamento diretamente nos canais oficiais. Em pagamentos por Pix de multas eleitorais, o destinatário deve ser o Tesouro Nacional.
Alguns cuidados ajudam a evitar que uma mensagem fraudulenta resulte em prejuízo:
- Confira o endereço do site: os canais oficiais da Justiça Eleitoral usam o domínio
jus.br, comotse.jus.br. Verifique o endereço completo, sem confiar apenas no logotipo ou no cadeado do navegador. - Não use links recebidos por mensagem: se houver dúvida sobre a situação eleitoral, acesse diretamente o site do TSE ou consulte o aplicativo e-Título.
- Desconfie da urgência: ameaças de bloqueio e exigências de pagamento imediato são sinais para interromper o contato e verificar a informação por um canal oficial.
As tentativas de fraude podem continuar depois da eleição, com mensagens que aleguem a necessidade de atualizar dados quando o cadastro reabrir. Por isso, a recomendação é manter a mesma cautela mesmo após o segundo turno.
Suspeita envolvendo urna exige apuração
A desinformação sobre as eleições também pode ganhar força a partir de ocorrências reais, mas interpretadas fora de contexto.
No primeiro turno, uma urna eletrônica em Candelária (RS) precisou ser substituída após a tecla 3 travar. A Justiça Eleitoral informou que investigaria a suspeita de uso de cola ou outra interferência no equipamento. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), os votos registrados antes da troca foram preservados.
A ocorrência, por si só, não comprova fraude no sistema de votação. Diante de qualquer problema com a urna, o eleitor deve avisar os mesários e evitar tirar conclusões antes da divulgação de informações oficiais.
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