Uma decisão da Justiça federal dos Estados Unidos interrompeu os planos do presidente Donald Trump de iniciar a construção de um Arco do Triunfo de 76 metros de altura em Washington. Na noite de quinta-feira (5), a juíza Tanya Chutkan determinou a suspensão das obras por 14 dias, período em que o tribunal deverá examinar questionamentos sobre a legalidade do empreendimento.
A ordem judicial foi emitida poucas horas depois de a Comissão Nacional de Planejamento da Capital (NCPC) autorizar o projeto por oito votos a quatro. A aprovação ocorreu após uma sessão de várias horas, durante a qual dezenas de pessoas se manifestaram contra a construção, principalmente por causa da localização escolhida para o monumento.
Inspirado no Arco do Triunfo de Paris, o projeto prevê uma estrutura de dimensões superiores às do monumento francês e às do Memorial Lincoln, situado do outro lado do rio Potomac. A construção ficaria nas proximidades do Cemitério Nacional de Arlington, onde estão sepultados centenas de milhares de militares americanos. A escolha do local é um dos principais motivos da oposição à iniciativa.
Questionamentos sobre construção
Durante a votação na NCPC, quatro integrantes da comissão defenderam que a análise fosse adiada até que questões jurídicas e financeiras fossem esclarecidas. Entre as preocupações apresentadas estavam a ausência de recursos aprovados pelo Congresso para financiar a obra e as justificativas oferecidas pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, sobre uma possível finalidade militar para a estrutura.
A maioria da comissão, formada por aliados do presidente, rejeitou o pedido de adiamento e autorizou o projeto. Após o resultado, o governo indicou que pretendia começar os trabalhos imediatamente, mas a determinação de Chutkan impediu o início da construção.
A decisão judicial atende, temporariamente, às reivindicações de veteranos das Forças Armadas e dos procuradores-gerais de Washington e da Virgínia, que recorreram à Justiça para contestar o monumento. A suspensão não representa o cancelamento definitivo do projeto, cuja legalidade ainda será analisada pelo tribunal.
Reformas na capital
A proposta do arco integra uma série de intervenções arquitetônicas defendidas por Trump desde seu retorno à Presidência, em janeiro de 2025. O republicano tem promovido alterações em edifícios e espaços públicos de Washington, algumas delas também questionadas judicialmente.
Entre os projetos está a construção de um salão de baile na Casa Branca, que exigiu a demolição de uma das alas da residência presidencial. A iniciativa foi alvo de uma ação judicial, mas a Suprema Corte concluiu que o autor do processo não tinha legitimidade para contestá-la.
O governo também conduz uma reforma no espelho d’água do National Mall e apresentou planos para modificar o East Potomac Golf Links, tradicional campo de golfe da capital americana. Essa última proposta, que envolveria a derrubada de centenas de árvores, teve sua execução interrompida por determinação judicial.
Na quinta-feira, Trump assinou ainda um documento que declarou o Salão Oval da Casa Branca um “monumento histórico”. A medida foi anunciada no mesmo dia em que a comissão federal aprovou a construção do arco, posteriormente suspensa pela Justiça.
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