Prefeito de Cuiabá rebate críticas sobre projetos de urgência e afirma que cidade enfrenta rombo herdado de gestões passadas, com dívidas superiores a R$ 2 bilhões
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O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), voltou a confrontar posicionamentos de vereadores da Câmara Municipal ao comentar sobre a tramitação de projetos em regime de urgência enviados pelo Executivo. Em fala contundente, o gestor criticou o que classificou como resistência injustificada da Casa Legislativa e disse que “não é possível governar sem olhar para trás”.
Brunini rebateu diretamente declarações de parlamentares como Henrique Sousa, que questionaram a frequência de projetos urgentes apresentados pela prefeitura. Segundo o prefeito, muitos desses projetos são tentativas de corrigir passivos herdados da gestão anterior.
“Eu não gostaria de olhar para trás, mas quem vai pagar os R$ 50 milhões de consignados que foram descontados dos salários dos servidores e não foram repassados aos bancos?”, indagou Abílio, ao citar uma série de dívidas e acordos judiciais que estão comprometendo o orçamento municipal.
Ele mencionou também pendências com empresas, acordos firmados com o Tribunal de Contas e problemas com o transporte público, regularização fundiária e setor imobiliário.
O prefeito afirmou que o município carrega uma dívida de curto prazo que já ultrapassa R$ 700 milhões, além de R$ 2 bilhões em compromissos consolidados.
“É fácil dizer que não se deve olhar para trás, mas a sombra dessas dívidas nos impede de olhar apenas para o futuro”, disse.
Abílio também criticou a nota “C” que Cuiabá recebeu no CAPAG (Capacidade de Pagamento) do Tesouro Nacional, o que dificulta o acesso a novos recursos. Ele apontou ainda que o município não atingiu o percentual mínimo constitucional de 25% de investimentos em educação em 2024, ficando em 19%, o que pode impactar nos repasses de ICMS.
Em relação às críticas sobre a urgência nos projetos, o prefeito esclareceu que a decisão de colocá-los em votação acelerada parte dos próprios vereadores, por meio de assinaturas. Ele citou como exemplo o projeto da REURB (Regularização Fundiária), que envolve áreas como Contorno Leste e os bairros João Bosco e Parque Rodoviária.
“Se acharem que não é urgente, não votem. Mas depois não digam que o Executivo está sendo omisso”, provocou.
Questionado sobre os índices de saúde e educação da capital, que têm caído nos últimos anos e afetam diretamente o repasse do ICMS, Brunini devolveu a responsabilidade à Câmara.
“Se vamos perder R$ 4 bilhões por causa da queda nos indicadores, é porque no passado as medidas não foram tomadas. Os vereadores precisam entender isso.”
O prefeito finalizou a entrevista criticando aliados da gestão anterior que, segundo ele, ainda resistem às mudanças propostas.
“Aquele vereador que estiver insatisfeito, sai da frente, porque a gente vai passar — mesmo com a rampa tentando nos arrastar.”
Por Jota Passarinho
