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Amazônia: estudo avalia produção de biocombustível

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O desmatamento da Amazônia brasileira para dar lugar ao cultivo de vegetais voltados para a produção de biocombustíveis foi comentado em estudo publicado ontem quinta-feira na revista científica Science.

O artigo diz que a destinação de terras para plantações de vegetais que são usados na produção de biocombustíveis aumenta a emissão de carbono na atmosfera, o que piora o problema da mudança climática em vez de resolvê-lo.

Segundo Joe Fargione, cientista da organização de defesa do meio ambiente The Nature Conservancy, a pesquisa teve como objetivo determinar se este tipo de mudança no perfil dos terrenos é válida.

Fargione diz que a conversão de terras com resíduos vegetais (combustíveis de origem vegetal) para a produção de óleo de palma na Indonésia e o uso de trechos da Amazônia brasileira para plantações de soja produziu a maior liberação de carbono na atmosfera.

“Todos os biocombustíveis usados até agora provocam a destruição do habitat, direta ou indiretamente”, afirmou o cientista. “A agricultura global já produz alimento para seis bilhões de pessoas; a produção de biocombustíveis exigirá que mais áreas sejam transformadas em terras agrícolas”.

Segundo o relatório do estudo, as conclusões obtidas estão de acordo com observações anteriores, no sentido de que a maior demanda de etanol está provavelmente contribuindo para o uso agrícola de áreas da Amazônia brasileira.

Por outro lado, os agricultores americanos que tradicionalmente produziam milho e soja de maneira alternada agora se dedicarão a plantar exclusivamente milho para atender à demanda do biocombustível produzido a partir deste vegetal.

Além disso, diz a pesquisa, os agricultores brasileiros estão plantando cada vez mais soja e, com isso, estão desflorestando a floresta amazônica.

De acordo com Fargione, os resultados do estudo mostraram que terrenos de florestas e pastos convertidos para cultivos destinados à produção de biocombustíveis liberam na atmosfera mais carbono do que o retido com o uso deste tipo de combustível.

“Estas regiões naturais abrigam muito carbono. Por isso, transformá-las em terras de cultivo significa a emissão de toneladas de carbono na atmosfera”, disse o cientista. “Se há o desejo de atenuar o aquecimento global, simplesmente não faz sentido dedicar terras virgens à produção de biocombustíveis”.

Jimmie Powell, diretor do departamento de energia da The Nature Conservancy, disse que, na busca de soluções para a mudança climática, “é preciso ter certeza de que o remédio não será pior que a doença. Não é possível se dar ao luxo de omitir as conseqüências de destinar terras a cultivos para biocombustíveis”.

Powell acrescentou que insistir nessa idéia pode significar que, sem querer, haja a promoção de alternativas energéticas “piores do que os combustíveis fósseis”. Cientistas afirmam que todos os combustíveis devem ser avaliados de acordo com o impacto que tenham no aquecimento global.

“É necessário aplicar diversos enfoques de maneira simultânea para resolver a mudança climática, não existe uma solução mágica”, diz Powell, acrescentando que alguns biocombustíveis podem ajudar, mas só se forem produzidos sem que haja a conversão de terrenos nativos para uso agrícola. Criada em 1951, a The Nature Conservancy é uma organização independente que luta pela proteção de terras ecologicamente importantes no mundo todo.

EFE

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