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Após escândalo sexual, FMI escolhe mulher

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O FMI (Fundo Monetário Internacional) terá pela primeira vez uma mulher no comando, depois de seu último diretor-gerente ter sido acusado de estupro.
A francesa Christine Lagarde assumirá na próxima terça-feira seu mandato de cinco anos em um momento-chave da instituição.
No posto, terá de lidar com a resiliente crise na Europa, reformar o sistema de cotas do órgão multilateral de empréstimos e polir a imagem do fundo após um escândalo e a miopia ante o colapso econômico global.
Ela sucede a seu compatriota Dominique Strauss-Kahn, que renunciou depois de ser preso por suspeita de estupro e de atrair para o fundo a sombra do sexismo.
Os dois, porém, estão de lados opostos na política. Enquanto Strauss-Kahn era um peso-pesado do Partido Socialista, Lagarde é uma conservadora fiscal que se projetou no governo Sarkozy.
“Queridos amigos, é uma honra e uma alegria anunciar-lhes que o conselho administrativo do FMI me designou como diretora-gerente!”, postou ela no Facebook.

VOTO EMERGENTE
Lagarde fez uma campanha intensa na mídia e rodou o mundo por apoio. O semanário francês “Le Canard Enchaîné” estima que a ex-ministra das Finanças tenha despendido desse modo ? 150 mil do governo.
O alvo maior foram os países emergentes -Brasil, China e Índia são críticos ao acordo tácito que divide os comandos do FMI e do Banco Mundial entre a Europa e os Estados Unidos.
Só a horas do anúncio o ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, chancelou Lagarde, condicionando o voto ao compromisso assumido por ela de ampliar o peso dos emergentes no fundo, não condizente com o porte econômico deles hoje.
Em nota, o ministério cobrou que o próximo diretor-gerente não seja “obrigatoriamente europeu”.
Pouco antes, havia vindo o apoio de outros emergentes, como China e Rússia, e o protelado endosso dos EUA, por meio do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, que enfatizou o aval emergente.
O diretor-gerente do FMI é escolhido pelo voto dos 24 membros do conselho administrativo, que falam pelos 187 países-membros, após entrevistas com candidatos indicados pelo primeiro escalão do fundo.
Para o brasileiro Paulo Nogueira Batista Jr., que vota pelo Brasil e por outros oito países, o tempo da seleção -cinco semanas- foi apertado.
“A decisão de voto só veio ontem [anteontem] à noite, após muita discussão”, disse à Folha. “A consulta foi prejudicada pelo processo curto. Faltaram considerações.”
Lagarde venceu o presidente do Banco Central do México, Agustín Carstens.

LUCIANA COELHO
DE WASHINGTON
F.de SP

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