O ex-presidente Jair Bolsonaro presta depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta terça-feira (23), em sua casa, onde cumpre prisão domiciliar. O interrogatório, marcado para as 15h, trata de uma arma registrada em seu nome que foi apreendida com um segurança do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante uma blitz em Taguatinga (DF).
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que os advogados de Bolsonaro acompanhem o depoimento e se reúnam com o ex-presidente a partir das 14h para a preparação. Pela regra da prisão domiciliar, a defesa tem permissão para visitas diárias limitadas a 30 minutos, mas Moraes abriu uma exceção para o procedimento desta terça-feira.
A arma foi apreendida pela Polícia Militar no último dia 15, no Pistão Norte, em Taguatinga. O equipamento estava no assoalho de um veículo oficial conduzido por um servidor do GSI. Inicialmente, o condutor afirmou que a arma era sua, mas, após a verificação de que não havia registro em seu nome, declarou que o dispositivo pertencia a Bolsonaro e ficava guardado no automóvel.
Em depoimento à delegacia, o servidor relatou que a pistola apresentava falha mecânica e a recebeu para reparo, com previsão de devolução no dia seguinte. Um carregador sobressalente também foi encontrado no carro.
Arma estava desativada, diz defesa
A defesa de Jair Bolsonaro confirmou a propriedade da arma e informou ao STF que o equipamento estava desativado. Segundo os advogados, o percussor – peça que possibilita o disparo – foi removido pela própria equipe de segurança.
A justificativa apresentada para a desativação da arma é que o ex-presidente faz uso de medicações psiquiátricas que afetam sua cognição. A defesa mencionou que, em razão desses efeitos, Bolsonaro teria tentado romper sua tornozeleira eletrônica. Os advogados argumentam ainda que o ex-presidente não possui proibição legal de manter armas registradas em sua posse.
Após o episódio, Moraes solicitou esclarecimentos sobre o motivo de Bolsonaro manter uma arma e carregador em casa durante a prisão domiciliar. O magistrado também questionou por que o reparo foi solicitado próximo ao fim do período de 90 dias da custódia temporária.
Além disso, o comandante do 19º Batalhão da PMDF, responsável pela vigilância da prisão domiciliar, foi chamado a explicar o cumprimento das ordens de revista nos veículos que deixam a casa do ex-presidente no Condomínio Solar de Brasília.
*Com informações do Estadão Conteúdo






