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Cientista revela segredo do míssil nuclear ‘invencível’ de Putin e se espanta: ‘Muito perigoso’

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Líder russo disse que a arma teria alcance ilimitado, enquanto analistas chamaram o artefato de ‘Chernobyl voador’

Burevestnik é um míssil de cruzeiro russo equipado com um reator nuclear que é considerado uma arma ‘invencível’ por Vladimir Putin. O presidente da Rússia afirmou que a arma teria alcance ilimitado e seria impossível de interceptar. Mas observadores internacionais apelidaram o míssil de “Chernobyl voador” pelos riscos que representa. Agora, cientistas de uma universidade dos Estados Unidos divulgaram um documento com uma análise detalhada do funcionamento do armamento. A conclusão é de que ele pode ser uma arma inovadora, mas “muito perigosa” pela maneira como ela foi concebida.

Em outubro de 2025, o míssil realizou um teste de voo no Ártico, voando por horas em trajetórias circulares, o que especialistas consideram ser o primeiro registro de um voo bem-sucedido de uma aeronave com propulsão nuclear. “Isso é algo possível, mas extremamente caro e muito perigoso”, disse Jake Hecla, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) com especialização em engenharia aeroespacial e nuclear, à rede de rádio pública americana NPR.

Hecla analisou imagens dos testes do míssil e construiu um modelo tridimensional do artefato. Com base nesses dados e em seu conhecimento de engenharia nuclear, ele foi capaz de modelar o tipo de reator que poderia estar alimentando o Burevestnik. O cientista, junto com outro pesquisador do MIT, apresentou os resultados da investigação em um artigo, que se tornou público em junho.

O funcionamento da arma baseia-se em um sistema de propulsão nuclear de ciclo direto com respiração atmosférica, que provavelmente aciona um turbojato. Nesse modelo, um compressor força o ar da atmosfera diretamente através de minúsculos canais no núcleo do reator, onde o calor das reações nucleares expande o ar para gerar empuxo. Por não possuir um circuito fechado ou selado para isolar a radiação, o motor expele isótopos radioativos de argônio, criptônio e carbono diretamente pelo escapamento durante todo o trajeto.

Ou seja, o míssil emite radiação durante o voo, colocando em “enorme risco” qualquer pessoa que more ou trabalhe perto do local de testes.

Há ainda o risco de que o ar comprimido e aquecido cause a erosão dos componentes do reator durante o voo, liberando volumes adicionais de material radioativo.

Devido a essa emissão constante, o Burevestnik é descrito como um “pesadelo ambiental” que oferece riscos significativos tanto para as equipes militares que o manuseiam quanto para populações próximas aos locais de teste.

O perigo representado por esse tipo de sistema foi evidenciado em 2019, quando uma tentativa de recuperar um protótipo do fundo do mar resultou em uma explosão e em um pico de radioatividade na região. Atualmente, acredita-se que o acidente tenha sido causado por uma equipe russa que tentava recuperar um protótipo do reator Burevestnik.

Estrategicamente, o míssil é projetado para transportar ogivas nucleares, uma vez que o próprio impacto do reator no alvo espalharia radiação letal de forma indiscriminada.

Apesar de possuir um alcance tecnicamente ilimitado e poder permanecer em voo aguardando ordens, o Burevestnik não é considerado mais difícil de interceptar do que mísseis de cruzeiro comuns, dada a sua velocidade comparável à de uma aeronave comercial.

Um relatório da organização norte-americana NTI (Iniciativa de Ameaça Nuclear) afirma que o míssil seria capaz de evitar radares e sistemas de defesa antimísseis, voando em altitudes extremamente baixas – entre 50 e 100 metros – e alterando a rota de forma imprevisível.

O desenvolvimento do Burevestnik é visto por alguns analistas como um possível passo intermediário para a criação de drones de vigilância de longa duração ou sistemas nucleares para uso espacial.

rR7

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