A eleição presidencial no Peru segue em cenário de incerteza nesta segunda-feira (8). Com pouco mais de 94% das atas apuradas, Sánchez ultrapassou e tem 50,03% dos votos, contra 49,9% para Keiko, uma diferença de menos de 10 mil votos, segundo o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe). Para que o segundo turno tenha um vencedor, também devem ser revisadas atas impugnadas que contêm cerca de 450 mil votos, o que pode levar dias.
“Estamos muito confiantes e otimistas, com tranquilidade para respeitar 100% os resultados”, disse Sánchez hoje. Pouco antes, Keiko pediu calma: “Temos que esperar até o final. O que é necessário nesses momentos é paciência e serenidade. Vamos respeitar o resultado, seja ele qual for.”
Em sua quarta tentativa de conquistar a Presidência, a filha do ex-presidente autocrata Alberto Fujimori (1990-2000) enfrentou o estreante Sánchez, herdeiro político do ex-mandatário Pedro Castillo, este último preso após uma tentativa de autogolpe de Estado em 2022.
Muitos eleitores disseram esperar que o novo governo acabe com a criminalidade no país e com a turbulência política que levou o Peru a ter oito presidentes desde 2016.
“É um empate técnico, está aberto para qualquer um. É um resultado que pode ser revertido nas próximas horas, ainda não se fala de vencedor ou vencedora”, disse à AFP o especialista em temas eleitorais José Tello.
A disputa ocorre em um país mergulhado em crise política crônica, tendo alternado oito presidentes desde 2016. O pleito evidenciou novamente a fratura social peruana: o litoral apoia majoritariamente Keiko, enquanto o sul rural e indígena dos Andes cerra fileiras com Sánchez.
Propostas e contrastes
A segurança pública dominou o debate, em um cenário onde a capital, Lima, projeta uma taxa de 23 homicídios por 100 mil habitantes para 2025 — o triplo de cinco anos atrás. Keiko Fujimori prometeu mobilizar o Exército para apoiar a polícia, desmantelar redes de extorsão e deportar imigrantes condenados.
Já Roberto Sánchez, que faz campanha com o chapéu camponês símbolo do ex-presidente preso Pedro Castillo, foca seu discurso na reforma das instituições, no fortalecimento do Judiciário e na reestruturação policial. Ele pediu que seus apoiadores “aguardem atentamente” os resultados finais.
Divisão nacional
Cerca de 27 milhões de peruanos foram às urnas em um processo obrigatório que, apesar da polarização, transcorreu sem graves incidentes. No entanto, a baixa representatividade preocupa: somados, os dois candidatos obtiveram menos de 30% dos votos no primeiro turno.
“Quem quer que vença terá metade do país contra si”, avalia o analista Paulo Vilca, do Instituto de Estudos Peruanos (IEP)
Heranças políticas
Keiko Fujimori, de 51 anos, disputa a presidência pela quarta vez. Ela defende o legado econômico do pai, Alberto Fujimori (1990-2000), embora ele tenha sido condenado por corrupção e crimes contra a humanidade.
Roberto Sánchez, congressista de 57 anos, apresenta-se como herdeiro político de Pedro Castillo — preso desde a tentativa fracassada de dissolver o Parlamento em 2022. Sánchez já prometeu indultar o aliado caso seja eleito.
Independentemente do resultado, o próximo presidente enfrentará um Congresso fragmentado e sem maioria, sendo obrigado a costurar alianças para garantir a governabilidade até o fim do mandato. A posse está marcada para o dia 28 de julho.
JovemPan
