Crime planejado? Especialista analisa caso de filho que matou e decapitou a mãe

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Relato do suspeito, que afirmou ouvir vozes antes de matar a mãe, será confrontado com perícia psiquiátrica

O caso do homem, de 27 anos, suspeito de matar e decapitar a própria mãe no bairro Ermelinda, na região Noroeste de Belo Horizonte, levanta discussões sobre os limites entre transtornos mentais graves e a responsabilização criminal. Em entrevista à RECORD Minas, a neurocriminóloga Cláudia Pádua analisou o comportamento apresentado pelo investigado durante a audiência.

Durante o depoimento, o autor confirmou possuir um “diagnóstico de esquizofrenia de 2020”, realizado durante o período em que viveu em Portugal. Embora tenha realizado tratamento por cinco anos na Europa, ele admitiu que, ao retornar ao Brasil em maio do ano passado, “não deu continuidade” ao acompanhamento médico nem ao uso de medicações.

A especialista reforçou que apenas a perícia oficial é capaz de avaliar a sanidade mental do autor no momento do crime.

O que é a esquizofrenia?

Segundo a especialista, a esquizofrenia é um transtorno mental que altera o funcionamento do cérebro e compromete a percepção da realidade. A doença pode ter origem genética, neuroquímica ou estar associada a fatores ambientais.

Cláudia explica que existem diferentes apresentações clínicas da doença, entre elas a catatônica, a hebefrênica e a paranoide. Nesta última, são comuns delírios persecutórios e alucinações auditivas.

Foi justamente esse tipo de sintoma que apareceu no relato do suspeito. Durante a audiência, o homem afirmou que ouviu vozes ordenando que matasse a mãe enquanto ela dormia.

“Esses pacientes podem ouvir vozes que determinam determinados comportamentos. Eles acreditam que aquilo é real”, explica a neurocriminóloga.

Relato levanta questionamentos

Embora o investigado relate um possível surto psicótico, alguns aspectos da dinâmica do crime chamaram a atenção da especialista. Segundo Cláudia Pádua, o fato do suspeito ter esperado a mãe dormir, ido até a cozinha buscar uma faca e executado todas as etapas do homicídio pode indicar um comportamento organizado.

“Ele arquitetou algo para ser executado”, afirma. Outro ponto destacado pela especialista foi o relato de que, mesmo ouvindo a mãe dizer que o amava, ele prosseguiu com o ataque.

Durante a audiência, ele também afirmou que agiu por um sentimento de vingança, embora tenha reconhecido que a mãe sustentava financeiramente a casa e nunca deixou faltar nada.

Para Cláudia, essas informações mostram que a motivação do crime ainda precisa ser cuidadosamente analisada pelas autoridades.

Memória preservada chamou atenção

Outro aspecto observado pela neurocriminóloga foi o nível de detalhamento apresentado pelo suspeito ao descrever o assassinato. Segundo ela, muitos pacientes com quadros psicóticos apresentam falhas importantes de memória após episódios agudos. No caso do filho que matou a mãe, porém, o relato foi bastante minucioso.

“Ele demonstra um reforço de memória, consegue reconstruir toda a sequência dos acontecimentos. Isso também será avaliado na perícia”, disse.

Perícia será decisiva

A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva e determinou que o suspeito passe por uma perícia oficial para avaliar sua sanidade mental no momento do crime. Segundo Cláudia Pádua, somente esse exame poderá indicar se ele possuía capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos quando matou a mãe.

“Se a perícia concluir pela inimputabilidade, ele não responderá da mesma forma que uma pessoa considerada plenamente capaz. Nesse caso, poderá ser aplicada uma medida de segurança, com internação em hospital de custódia pelo tempo necessário ao tratamento.”

O resultado da avaliação psiquiátrica, que acontecerá na próxima segunda (29), será um dos principais elementos para definir os próximos passos do processo criminal.

R7

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