Início Agronegócio Deputados de MT defendem fim da moratória da soja e constitucionalidade de...

Deputados de MT defendem fim da moratória da soja e constitucionalidade de lei estadual em audiência no Senado

0

Parlamentares criticam interferência externa e defendem autonomia estadual na concessão de incentivos fiscais ao setor agrícola

ALTNOTÍCIAS

Em audiência pública realizada nesta terça-feira (23/04) no Senado Federal, deputados estaduais de Mato Grosso defenderam a revogação da moratória da soja e a retomada da Lei estadual 12.709/2024, suspensa por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro do ano passado.

A norma foi suspensa pelo ministro Flávio Dino sob o argumento de que utilizava critérios tributários como punição indireta a empresas com compromissos socioambientais, o que poderia configurar desvio de finalidade.

Durante o debate, os parlamentares mato-grossenses reafirmaram a constitucionalidade da Lei e criticaram a Moratória da Soja – política ambiental iniciada em 2006 por iniciativa de grandes tradings para limitar a compra de soja de áreas desmatadas no bioma Amazônia.

Segundo os deputados, a medida penaliza injustamente produtores que cumprem a legislação ambiental e enfraquece a economia de municípios agrícolas. Eles também apontaram interferência de interesses internacionais no setor produtivo brasileiro.

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi (PSB), afirmou que a lei aprovada pelo parlamento estadual visa corrigir distorções e garantir segurança jurídica aos produtores. “Foi uma construção ampla com a sociedade. Aprovamos uma norma que equilibra produção e preservação sem romper com a Constituição nem com as leis ambientais”, disse o parlamentar.

Autor da lei, o deputado Gilberto Cattani (PL) destacou que a norma trata exclusivamente da concessão de incentivos fiscais. “Não há interferência na moratória da soja. A Assembleia tem autonomia para legislar sobre incentivos concedidos pelo próprio Estado”, afirmou Cattani.

Outros parlamentares, como Carlos Avallone (PSDB), Janaina Riva (MDB) e Dr. João (MDB), reforçaram os impactos econômicos da moratória e defenderam o direito dos produtores de trabalhar sem entraves externos. Já Dr. Eugênio (PSB) sugeriu a criação de uma trading estatal para reduzir a dependência das grandes comercializadoras.

Representantes do agronegócio também participaram da audiência e foram unânimes nas críticas à moratória. O presidente da CNA, André Dobashi, classificou a medida como inconstitucional. “Impõe restrições sem participação dos produtores, desrespeita a livre iniciativa e o direito de propriedade”, declarou.

Fabrício Moraes Rosa, da Aprosoja-MT, estimou que a moratória reduz em R$ 20 bilhões as receitas do Estado e defendeu que a adesão seja voluntária. “Cada real investido dentro da propriedade gera outros R$ 3 fora dela. Estamos falando de R$ 60 bilhões que deixamos de movimentar”, pontuou Moraes.

Vilmondes Tomain, da Famato, criticou o que chamou de cartelização do mercado. “As grandes tradings, pressionadas por interesses externos, impõem restrições que dificultam a comercialização e punem o produtor rural”, enfatizou Tomain.

O senador Jayme Campos (União) foi enfático: “Não podemos nos curvar a pressões internacionais. O Brasil produz com responsabilidade ambiental. Precisamos defender nossa soberania”.

O presidente da Comissão de Agricultura do Senado, Wellington Fagundes (PL), prometeu novas audiências e anunciou que vai solicitar ao Banco Central dados sobre incentivos recebidos por tradings internacionais.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Digite seu nome aqui

Sair da versão mobile