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Embate entre deputados de Mato Grosso expõe divisões sobre atuação do ministro Carlos Fávaro e políticas para o agronegócio

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Adenilson responsabiliza Fávaro pela paralisação do projeto da Ferrogrão, alegando falta de articulação e vontade política

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Cuiabá (MT) – O plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT) foi palco de um acalorado debate durante a sessão ordinária da Casa nesta quarta-feira, (30/04),  protagonizado pelos deputados estaduais Adenilson da Rocha (PSDB) e Wilson Santos (PSD), que divergiram publicamente sobre a atuação do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. As falas revelaram fissuras políticas em torno da condução de políticas públicas voltadas ao agronegócio, em especial na região Norte do estado.

O primeiro a se manifestar foi o deputado Adenilson da Rocha, que, em tom inflamado, acusou o ministro de abandonar o setor produtivo e priorizar articulações com movimentos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). “Fávaro não representa o agro. Ele virou as costas para quem produz neste país. É lamentável ver o ministro se reunir com o MST, mas nunca com os produtores da região norte”, disparou Rocha, citando a ausência de Fávaro em feiras e eventos do agronegócio, especialmente no interior do estado.

A crítica foi endossada pelo discurso do presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso), Lucas Costa Beber, e intensificada por Adenilson ao relembrar que Fávaro iniciou sua carreira política com apoio do setor, quando foi escolhido vice-governador para representar os interesses do agro. “Hoje ele está com boné vermelho, defendendo invasor de terra e esquecendo os agricultores que acordam cedo para produzir”, completou o parlamentar.

A fala provocou forte reação do deputado Wilson Santos, que saiu em defesa do ministro. “Isso não é debate, é agressão. O deputado parece ter prazer em atacar o único mato-grossense hoje no comando de um ministério. Há uma clara tentativa de desmoralizar alguém que tem trabalhado pela agricultura familiar e pelas grandes pautas do estado”, disse Santos.

Wilson trouxe dados do Plano Safra 2024/2025, que prevê R$ 475 bilhões em crédito rural, 40% a mais do que no último ano do governo Bolsonaro. Ele também destacou o lançamento do programa “Solo Vivo”, voltado para a agricultura familiar, e a entrega de maquinários no assentamento Santo Antônio da Fartura. “Fávaro tem feito o que nenhum outro ministro fez. Está apoiando o pequeno agricultor, entregando maquinário, promovendo programas reais, e não apenas discursos inflamados”, afirmou.

O embate esquentou ainda mais quando o tema Ferrogrão, projeto de ferrovia estratégica para o escoamento da produção agrícola, entrou em pauta. Adenilson responsabilizou Fávaro pela paralisação do projeto, alegando falta de articulação e vontade política. A crítica foi prontamente rebatida por Wilson, que classificou a fala como “desinformada”. “Não é o ministro que trava a Ferrogrão. É um processo técnico, ambiental, travado há mais de 15 anos por questões complexas e interesses internacionais. Bolsonaro não conseguiu destravar, tampouco FHC, Lula ou Dilma. Deputado Adenilson precisa estudar mais sobre o assunto”, rebateu.

Wilson também ironizou a atuação do colega: “Toda semana ele vem aqui baixar o nível. Ele devia aproveitar esse tempo no cargo para apresentar propostas reais ao povo do Nortão, e não transformar essa Casa numa arena de ataques pessoais”.

Em resposta, Adenilson voltou à tribuna, reafirmando que tem, sim, atuado pela sua região. “Apresentei projeto para criar um polo do agronegócio em Sinop e Nova Mutum. Eu não vou usar essa tribuna para elogiar quem nunca ajudou o meu povo. Fávaro não representa o Norte. Ele não tem coragem de ir até lá olhar nos olhos dos produtores”, declarou.

Ao final, o debate revelou não apenas diferenças políticas e ideológicas entre os parlamentares, mas também um embate mais profundo sobre o modelo de representação desejado para o setor produtivo de Mato Grosso: se por meio de ações diretas e discursos combativos, como propõe Adenilson, ou pela via institucional e de articulação política, como defende Wilson.

O presidente da Assembleia, Max Russi, propôs que o ministro Carlos Fávaro seja convidado a prestar contas diretamente no Colegiado de Líderes da Casa nos próximos meses. O objetivo seria esclarecer as ações do ministério e buscar uma pacificação entre os parlamentares.

Por Jota Passarinho

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