Contratação, feita sem licitação direta, levanta questionamentos sobre a transparência e os critérios adotados pela administração municipal, e pode ampliar o desgaste político da atual gestão
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A Prefeitura Municipal de Caarapó firmou um contrato de R$ 14.668.533,00 com a empresa Pantanal Gestão e Tecnologia Ltda, sediada em Cuiabá (MT), para prestação de serviços de “outsourcing” — fornecimento via web, em tempo real, de materiais diversos como insumos para construção civil, equipamentos de proteção individual (EPIs), materiais elétricos, hidráulicos, de expediente, entre outros.
A contratação foi publicada no Diário Oficial da Assomasul na última sexta-feira (0905), por meio do extrato nº 075/2025. No entanto, a empresa escolhida já esteve no centro de uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Mato Grosso (MPMT) e pela Polícia Civil do Estado, o que acendeu o alerta de veículos de comunicação e da população local.
Empresa já foi alvo da “Operação Gomorra”
A Pantanal Gestão e Tecnologia Ltda foi uma das investigadas na Operação Gomorra, deflagrada em novembro do ano passado pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO), do MPMT. O objetivo da operação era desarticular uma organização criminosa que, segundo os promotores, atuava em diversas prefeituras do estado fraudando licitações e desviando recursos públicos.
Entre os alvos das investigações estava o município de Barão de Melgaço (MT), onde foram identificadas práticas como adulteração de notas fiscais, uso de “carta coringa” para desvio de combustíveis, além de superfaturamento em contratos públicos.
De acordo com o MP, Edézio Correa seria o principal articulador do esquema, operando várias empresas envolvidas nas fraudes, incluindo a Pantanal Gestão e Tecnologia. Conforme apurado, os contratos firmados por essas empresas geralmente utilizam atas de registro de preços, muitas vezes sem a realização de processos licitatórios convencionais, o que aumenta as suspeitas.
Expansão para o Mato Grosso do Sul
As investigações também apontam que o grupo investigado no Mato Grosso começou a atuar em municípios do Mato Grosso do Sul. Em abril deste ano, o Correio do Estado revelou que a mesma rede empresarial havia firmado contratos milionários em cidades como Ivinhema, Água Clara e Anaurilândia.
Nesses casos, o objeto contratual era a gestão informatizada da frota municipal, com controle via sistema online de manutenção, fornecimento de peças e abastecimento — atividades semelhantes às contratadas em Caarapó. Embora os editais não utilizem o termo explicitamente, os serviços prestados caracterizam-se como quarteirização, um modelo em que uma empresa é contratada para gerenciar outras terceirizadas, funcionando como uma espécie de “gestora de contratos”.
Discurso de austeridade versus gasto milionário
O valor elevado do contrato, aliado ao histórico da empresa, gerou controvérsia entre servidores e moradores de Caarapó. A prefeita Maria de Lurdes Portugal (PL), que tem alegado dificuldades financeiras e dívidas herdadas para justificar a ausência de reajustes ao funcionalismo público — especialmente aos profissionais da Educação, que ameaçam paralisação —, agora enfrenta críticas pelo contraste entre seu discurso de austeridade e o contrato milionário firmado com uma empresa sob suspeita de corrupção.
A contratação, feita sem licitação direta, levanta questionamentos sobre a transparência e os critérios adotados pela administração municipal, e pode ampliar o desgaste político da atual gestão.
Da redação





