Palestra na sede da AMM com o gerontólogo Alexandre Kalache destacou desafios e soluções para garantir qualidade de vida à população idosa, que deve dobrar até 2050
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A sede da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) foi palco, nesta quinta-feira (12/06), de uma importante reflexão sobre o futuro das cidades frente ao rápido envelhecimento da população brasileira. O evento, promovido pela Comissão de Amparo à Pessoa Idosa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), reuniu gestores públicos, representantes do Judiciário, do Governo do Estado e especialistas para ouvir o médico gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil.
Kalache, que também foi diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), destacou dados alarmantes sobre o avanço da longevidade no país: o número de idosos deve saltar de 33 milhões em 2025 para 68 milhões em 2050, tornando urgente a preparação de municípios e profissionais para essa nova realidade.
“As cidades brasileiras ainda não estão preparadas para envelhecer. Precisamos, desde já, investir em políticas públicas que promovam saúde, inclusão, segurança e aprendizagem contínua para os idosos”, afirmou o especialista.
Durante a palestra, Kalache reforçou a importância de capacitar todos os profissionais da saúde sobre o envelhecimento, diante da crescente demanda por cuidados especializados. Ele também chamou atenção para o combate ao idadismo — o preconceito contra pessoas mais velhas — e defendeu uma postura ativa:
“Não basta não ser idadista. É preciso ser anti-idadista. Precisamos mudar a forma como a sociedade enxerga e trata seus idosos.”
O médico recomendou aos gestores o estudo do Marco Político do Envelhecimento Ativo, elaborado pela OMS, que apresenta os quatro pilares fundamentais para o envelhecimento saudável: saúde, participação, segurança/proteção e aprendizagem ao longo da vida. O presidente da AMM, Leonardo Bortolin, ressaltou a importância do debate:
“Agradecemos ao TJMT por essa parceria essencial. A presença do Dr. Kalache nos proporciona uma visão estratégica sobre como os municípios podem se preparar melhor para essa transformação demográfica inevitável.”
Já o presidente da Comissão de Amparo à Pessoa Idosa do TJMT, desembargador Orlando Perri, reforçou a necessidade de planejamento a longo prazo:
“As projeções são claras: em 2070, haverá 170 idosos para cada 100 jovens. Precisamos agir agora, estruturando políticas públicas que garantam proteção, acolhimento e dignidade à população idosa.”
A AMM e o TJMT são parceiros em diversas iniciativas voltadas à terceira idade, como a construção de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) em cinco municípios de Mato Grosso: Várzea Grande, Cuiabá, Rondonópolis, Sinop e Água Boa. Os projetos estão em fase de desenvolvimento e podem servir de modelo para outros municípios do estado, ampliando a rede de amparo à pessoa idosa.
O encontro reforça a necessidade de cooperação entre os entes públicos para transformar os municípios em espaços mais justos, acessíveis e preparados para uma sociedade que envelhece rapidamente — e que exige respostas urgentes e eficazes.





