Exposição “Onda do Cerrado: Geometria de Frequência da Natureza”.

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Por: Guilherme Chaves…

A exposição “Onda do Cerrado: Geometria de Frequência da Natureza”, da artista
mato-grossense Nadja Lammel, é uma jornada sensorial que nos transporta para as
paisagens visíveis e invisíveis do coração do Brasil. Em sua obra, a artista decodifica o
cerrado como um campo de energia viva — um bioma não apenas de vegetação, fauna e
solo, mas de vibrações, memórias ancestrais e pulsos eletromagnéticos que reverberam
nos paredões milenares da Chapada dos Guimarães.
Inspirada pelas ondas invisíveis que permeiam o ambiente natural — desde os fluxos
aquáticos que esculpem a pedra até os campos eletromagnéticos que reverberam nas
atmosferas minerais da Chapada — Nadja constrói uma poética visual que transcende o
campo pictórico. Suas obras funcionam como antenas sensíveis, captando as
interferências entre o natural e o urbano, entre o ancestral e o contemporâneo. São
territórios de cruzamento onde o grafite encontra o barro, o relevo topográfico se funde
com o gesto pictórico, e o espiritual ecoa através da forma.
A técnica singular de Nadja Lammel, que mescla grafite, colagem, pintura a óleo e
acrílico — evocando o escorrimento das águas chapadenses — traduz essas frequências
em superfícies táteis e imersivas. A série “Espelho Solar” faz cintilar a luz sobre
superfícies texturizadas, como se a própria tela respirasse ao ritmo do cerrado
A noção de “onda”, neste contexto, é multissensorial. Ela representa tanto os fenômenos
naturais — o vento nas copas retorcidas do pequizeiro, o som que ricocheteia nas cavernas
de arenito — quanto as camadas intangíveis da experiência humana: a espiritualidade, a
ancestralidade, a energia dos corpos e lugares. É através dessa perspectiva expandida que
Nadja revisita o cerrado: não como paisagem bucólica, mas como sistema dinâmico de
forças — visíveis e invisíveis — que moldam a cultura, os afetos e o cotidiano urbano.
Ao longo de sua trajetória, Nadja Lammel construiu uma linguagem única, alicerçada
na interseção entre arte urbana, naturalismo regional e pesquisa antropológica. Desde as
primeiras exposições até a seleção de sua obra “O Ancião” para a semana da Art Basel
Miami, a artista tem sido reconhecida por sua capacidade de traduzir o território matogrossense em experiências visuais contemporâneas e potentes. Sua prática também reflete
um compromisso com a sustentabilidade e o uso consciente de materiais — como
exemplifica sua releitura eco-friendly da viola de cocho, transformada em luminária
escultórica.
“Onda do Cerrado” é, portanto, mais do que uma exposição. É um chamamento
vibracional. Um convite para escutarmos, com os olhos e com o corpo, as reverberações
do cerrado — essa paisagem que pulsa, que fala, que resiste. Arte e território tornam-se
indissociáveis, e o olhar do espectador é convocado a sintonizar-se com as forças sutis
que sustentam a vida em todas as suas formas.

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