Com fim dos incentivos fiscais previsto para 2032, setor produtivo busca soluções para manter competitividade
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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) promoveu uma reunião estratégica na última terça-feira (22/04), na sede da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), em Cuiabá, para debater os impactos do chamado “Custo Mato Grosso” sobre os diversos segmentos do setor agropecuário presentes nos 142 municípios do estado.
O encontro teve como destaque a apresentação do estudo conduzido pelo Movimento Mato Grosso Competitivo (MMTC), baseado na metodologia do “Custo Brasil”. O levantamento abrange 12 áreas fundamentais para o ambiente de negócios, como logística, tributação, mão de obra e infraestrutura, oferecendo um panorama detalhado dos obstáculos que encarecem a produção e reduzem a competitividade estadual.
Segundo o presidente do MMTC, Silvio Rangel, o debate ganha urgência à medida que se aproxima o fim dos incentivos fiscais, previsto para 2032. “A partir de 2033, teremos que lidar com um novo cenário tributário. Precisamos agir agora para planejar políticas públicas que minimizem os impactos, reduzam custos estratégicos e fortaleçam a geração de empregos e renda”, afirmou. Ele destacou a necessidade de enfrentar gargalos como o alto custo da energia elétrica, da logística e da qualificação de mão de obra.
Essa preocupação também foi reforçada pelo presidente da Federação do Comércio de Mato Grosso (Fecomércio), José Wenceslau de Souza Júnior. “Sem incentivos fiscais, será ainda mais difícil atrair novas indústrias. A logística é cara e estamos longe dos principais centros consumidores. Precisamos de medidas que tornem o estado mais competitivo”, pontuou.
Outro ponto abordado durante o encontro foi a importância da industrialização da produção agrícola e pecuária do estado. Nelson Piccoli, presidente do Fórum Agro Mato Grosso, defendeu que é preciso ir além da excelência na produção primária. “Temos que agregar valor aos nossos produtos. Industrializar é a chave para ampliar a lucratividade e fortalecer a economia estadual.”
Já o deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União), coordenador da FPA, destacou os esforços recentes do Governo Estadual para enfrentar os desafios logísticos e estimular a geração de empregos. Ele também alertou para os efeitos da reforma tributária federal, que entra em vigor em 2033 e trará mudanças drásticas na arrecadação dos estados. “O ICMS deixará de ser uma fonte de receita, o que exige cautela e planejamento desde já.”
O governador Mauro Mendes (UB) compartilhou as preocupações com o cenário tributário. Segundo ele, a reforma desonerará completamente cadeias voltadas à exportação, como a agropecuária e a mineração. A Secretaria de Fazenda (Sefaz) já estima uma perda de até R$ 8 bilhões por ano para o estado a partir de 2033. “Haverá um fundo compensatório no início, mas ele será reduzido com o tempo. Já começamos com uma perda direta de R$ 1 bilhão”, explicou o chefe do Executivo mato-grossense.
O deputado Diego Guimarães (Republicanos) relembrou que o governo já vem tomando medidas desde o primeiro mandato de Mendes, com reformas tributárias estaduais que reduziram o ICMS para setores produtivos. “Avançamos na infraestrutura logística, mas ainda precisamos investir mais na qualificação da mão de obra e na agregação de valor à produção”, ressaltou.
Com informações da assessoria da AL-MT





