Início Mundo Geórgia diz que Rússia ocupa 4 cidades; ONG denuncia ataques desumanos

Geórgia diz que Rússia ocupa 4 cidades; ONG denuncia ataques desumanos

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O governo da Geórgia afirmou que quatro cidades do país –Gori, Poti, Senaki e Zugdidi– permanecem ocupadas por tropas russas, nesta sexta-feira. “Passei a noite em Gori, e a cidade está patrulhada pelas forças de ocupação russas. A situação é de calma”, disse o secretário do Conselho de Segurança Nacional, Alexandr Lomaya, à TV local Rustavi-2, citada pela agência de notícias Efe.

Conforme militares americanos, há notícias de que as tropas russas estão recuando desde ontem. Segundo o vice-chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Rússia, o general Anatoli Nogovitzin, as tropas russas estão em Gori em “missão de paz”, para “guardar armamentos militares georgianos”. “O grupo de capacetes azuis russo encontra-se em Gori com a tarefa de entrar em contato com a administração local.”

O presidente da França e atual presidente da União Européia, Nicolas Sarkozy, que negociou a trégua aceita por Geórgia e Rússia na última quarta-feira (13), diz que os russos sairão logo depois que o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, formalizar o cessar-fogo.

Quem entrega o cessar-fogo a Saakashvili, nesta sexta-feira, na capital georgiana de Tbilisi, é a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice. Como Saakashvili é aliado dos EUA, a presença de Rice reforça o compromisso dos EUA de proteger a Geórgia e as ameaças que a potência tem feito à Rússia nos últimos dias, em caso de descumprimento da trégua.

Somente ontem, o presidente George W. Bush repetiu o pedido para que a Rússia respeite a trégua e a integridade territorial da Geórgia; e o secretário de Defesa, Robert Gates, afirmou que as relações entre os EUA e a Rússia “podem ficar prejudicadas pelos próximos anos”, se a rival retomar os ataques à aliada Geórgia.

Denúncia

Nesta sexta, a Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos, em inglês) divulgou um documento no qual denuncia a utilização de bombas de dispersão –as chamadas bombas “cluster”– por parte dos russos em áreas georgianas ocupadas por civis. Conforme a ONG, as bombas mataram 11 e “feriram dúzias” de pessoas em Ruisi e no centro de Gori.

“Bombas “cluster” matam indiscriminadamente e a maioria das nações concordou em bani-las. O uso delas por parte da Rússia não é apenas mortal para os civis mas é também um insulto aos esforços internacionais para evitar um desastre humanitário semelhante ao causado por minas”, afirma a instituição.

O vice-chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Rússia negou as denúncias. “A Rússia nunca empregou munições de fragmentação”, afirmou Nogovitzin.

Ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse estar “extremamente preocupado” com a situação humanitária na Geórgia. O presidente da Geórgia já afirmou que pretende acusar a Rússia de limpeza étnica, perante órgãos internacionais.

Separatistas

Enquanto os EUA reforçam a aliança com a Geórgia, o presidente russo, Dmitri Medvedev, reitera o apoio às regiões separatistas Ossétia do Sul e Abkházia.

De acordo com a agência de notícias Interfax, ontem, Medvedev afirmou que a posição russa “não mudou”. “Nós vamos apoiar quaisquer decisões tomadas pelos povos da Ossétia do Sul e da Abkházia (…) e não somente apoiá-las, mas iremos garanti-las tanto no Cáucaso quanto por todo o mundo.”

Os conflitos entre Geórgia e Rússia começaram quinta-feira da semana passada (7), quando a Geórgia, aliada dos EUA, realizou uma ofensiva com o intuito de retomar o controle sobre a Ossétia do Sul, uma região separatista que declarou independência no começo dos anos 90. Moscou reagiu em poucas horas.

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