Governador da Bahia enfrenta pedido de impeachment após sugerir que Bolsonaro e seus eleitores devem ‘ir pra vala’

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Declaração de Jerônimo Rodrigues provoca reação da oposição, que o acusa de incitação à violência “discurso de ódio”

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O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), tornou-se alvo de um pedido de impeachment, já protocolado pelo deputado estadual Leandro de Jesus (PL) na Assembleia Legislativa do Estado (AL-BA). A iniciativa foi motivada por uma fala do governador durante um evento na cidade de João Dourado, na última sexta-feira (02/05), em que, de forma polêmica, sugeriu que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores deveriam ser colocados “na vala”.

“Bota uma ‘enchedeira’. Sabe o que é uma ‘enchedeira’? Uma retroescavadeira, bota e leva tudo para a vala”, disse Jerônimo em tom crítico ao bolsonarismo, durante seu discurso.

Para o deputado Leandro de Jesus, a fala configura incitação à violência política. Em sua representação, ele argumenta que o governador teria ultrapassado os limites da liberdade de expressão, promovendo discurso de ódio contra opositores ideológicos. O pedido de impeachment se baseia no artigo 106 da Constituição do Estado da Bahia e na Lei Federal nº 1.079/1950, que trata dos crimes de responsabilidade.

“O pronunciamento representa ameaça, cria um ambiente de hostilidade e intimidação contra uma parcela significativa da população, atentando contra os pilares do pluralismo e da democracia”, afirma o parlamentar no documento.

Além do pedido de impeachment, o deputado também encaminhou uma Notícia de Fato ao Ministério Público da Bahia, requerendo investigação sobre possíveis responsabilizações civil, administrativa e penal do governador, por incitação ao ódio político.

Diante da repercussão negativa, Jerônimo Rodrigues se manifestou na segunda-feira (05/05), reconhecendo que o uso do termo pode ter sido inadequado: “Se o termo ‘vala’ foi pejorativo, o governador tem toda humildade para dizer: desculpem pelo termo, mas não houve a intenção nenhuma de desejar a morte de ninguém”, declarou a jornalistas.

A tentativa de recuo, no entanto, não impediu críticas da oposição. O ex-presidente Jair Bolsonaro comentou nas redes sociais, classificando o episódio como um “exemplo de barbárie disfarçada de liberdade de expressão progressista”.

Outros parlamentares bolsonaristas também reagiram com indignação. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) escreveu: “Quando eu digo que se pudessem, esse pessoal nos eliminaria, duvidam?”. Já André Fernandes (PL-CE) afirmou que a fala do governador reflete um “desespero político”.

O episódio acirra ainda mais os ânimos entre governistas e oposição, em um cenário nacional já marcado por polarização e disputas narrativas.

Da redação

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