O cenário é especialmente preocupante na Amazônia, que registrou a maior área queimada de toda a série histórica.
Enquanto o governo Lula erguia a bandeira ambiental na cena internacional e criticava ferozmente a gestão anterior pelas queimadas, o Brasil arde em chamas sob sua própria administração. Dados alarmantes do MapBiomas Fogo, parte do recém-lançado Relatório Anual do Fogo (RAF), revelam que pelo menos 30 milhões de hectares foram destruídos pelo fogo no Brasil em 2024, uma área 62% acima da média histórica. A ironia é cruel: sob um governo que prometeu “desmatamento zero” e rigor no combate a crimes ambientais, a devastação atinge proporções recordes justamente nos biomas mais sensíveis e comumente defendidos pela pauta ambientalista.
O cenário é especialmente preocupante na Amazônia, que registrou a maior área queimada de toda a série histórica, com 15,6 milhões de hectares devastados – um valor 117% acima da média. No Pantanal, a extensão da destruição ficou 157% acima da média, mas é na Mata Atlântica que a situação se torna um verdadeiro escândalo ambiental: o bioma bateu recorde de destruição em 2024, com uma área afetada pelo fogo 261% acima da média histórica. Esses números contrastam drasticamente com o discurso de campanha e a postura combativa do presidente Lula quando na oposição.
A mudança no padrão das queimadas também merece atenção e levanta questionamentos sobre a eficácia das políticas atuais. Historicamente, a savana era a vegetação nativa mais afetada. No entanto, em 2024, predominaram os incêndios em áreas de floresta, com 7,7 milhões de hectares queimados, uma extensão 287% superior à média. Essa transição para florestas indica uma agressividade ainda maior do fogo e um desafio ainda mais complexo para as equipes de combate e prevenção.
Apesar da veemência nas críticas ao governo Bolsonaro sobre o tema das queimadas, a realidade em 2024 expõe uma hipocrisia alarmante na gestão Lula. Os dados do RAF são um tapa na cara de um discurso que prometia um novo tempo para o meio ambiente no Brasil, mas que na prática, assiste ao fogo devorar paisagens, biodiversidade e, acima de tudo, a credibilidade de um governo que agora se vê encurralado pelas próprias cinzas.
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