Hospital Central de MT será gerido pelo Einstein e deve ser entregue em setembro após 34 anos de paralisação

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Estrutura será equipada com tecnologias que ainda não existem na rede pública do estado, permitindo avanços em áreas como transplantes, com previsão para início de procedimentos renais e cardíacos já em 2026

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Depois de mais de três décadas de abandono, o Hospital Central do Estado de Mato Grosso está prestes a se tornar realidade. Em fase final de obras, a unidade deve ser entregue em setembro deste ano e terá gestão do Hospital Israelita Albert Einstein, referência nacional e internacional em saúde. O anúncio foi feito pelo secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, que detalhou a estrutura, o modelo de gestão e como será o acesso da população ao novo hospital.

A construção da unidade ficou paralisada por 34 anos. Desde 2022, o Governo do Estado vem trabalhando paralelamente na retomada da obra e na definição do modelo de funcionamento. A escolha pelo Einstein como parceiro operacional veio após meses de articulações e reuniões com a instituição, que atua há mais de 30 anos no Sistema Único de Saúde (SUS) e administra cinco unidades públicas pelo país.

“Nós estamos trazendo para Mato Grosso o hospital número 1 do país, o número 1 da América Latina e o 22º do mundo. A população mato-grossense merece ser atendida com o que há de melhor”, afirmou o secretário Gilberto Figueiredo.

Alta complexidade e tecnologia de ponta

Com foco em alta complexidade, o Hospital Central contará com mais de 15 especialidades médicas e centenas de subespecialidades e procedimentos, segundo Figueiredo. A estrutura será equipada com tecnologias que ainda não existem na rede pública do estado, permitindo avanços em áreas como transplantes — com previsão para início de procedimentos renais e cardíacos já em 2026.

A expectativa é que a capacidade de produção do novo hospital seja o dobro da atual Santa Casa, aliviando a demanda reprimida por cirurgias e atendimentos especializados. O investimento total na obra e nos equipamentos gira em torno de R$ 513 milhões, sendo aproximadamente metade desse valor destinado à aquisição de tecnologias hospitalares.

Gestão compartilhada, sem porta aberta

A gestão do hospital será 100% de responsabilidade da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. O modelo inclui a contratação dos profissionais, manutenção, compras e operação. Todo o atendimento será feito via regulação estadual, ou seja, o hospital não será de “porta aberta” — pacientes deverão ser encaminhados por meio do sistema Regula MT, que também será modernizado para acompanhar a nova estrutura.

“Esse é um hospital que só funciona bem se estiver com sua capacidade plena ocupada. Por isso, vamos intensificar a eficiência da regulação”, disse Figueiredo.

Custo e economia

Apesar do alto investimento inicial, o governo estadual estima que a operação do Hospital Central, sob o comando do Einstein, representará economia aos cofres públicos. Hoje, o estado gasta cerca de R$ 28 milhões por mês com tratamentos em outros hospitais, decisões judiciais e deslocamentos para fora do estado. Com o novo hospital, esse custo passará a cerca de R$ 34 milhões mensais — mas parte será coberta por faturamentos do SUS, reduzindo o impacto real para o estado.

“Com essa operação, teremos uma economia estimada em R$ 50 milhões por ano, além de oferecer uma estrutura muito superior”, reforçou o secretário.

Contratação de profissionais: sem concurso

O modelo de gestão por meio do Einstein significa que não haverá concurso público ou nomeações para atuar no Hospital Central. As contratações seguirão o padrão da instituição: médicos como pessoa jurídica e demais profissionais sob regime CLT, com carteira assinada e benefícios. Segundo Figueiredo, bons profissionais do estado terão oportunidade de concorrer às vagas, com a garantia de que os salários não serão inferiores aos da rede pública atual.

A ausência de concursos para o Hospital Central gerou questionamentos, especialmente entre os concursados da saúde que aguardavam nomeação. O secretário explicou que as nomeações feitas até o momento têm como foco a estruturação da própria Secretaria de Saúde, especialmente para controle e avaliação dos contratos com unidades de saúde terceirizadas.

Modelo diferente, governo presente

Figueiredo também rebateu críticas históricas ao modelo de Organização Social (OS) e garantiu que a experiência será diferente. “O Einstein não é uma OS qualquer. E nós não somos mais um governo que atrasa repasse e quebra contrato. Hoje temos 75 meses de adimplência com os municípios, e todos os contratos são rigidamente acompanhados”, afirmou o secretário.

O contrato com o Einstein prevê acompanhamento direto da Secretaria de Saúde, com equipes próprias atuando dentro do hospital para fiscalizar a execução das metas e assegurar o cumprimento do plano operativo.

Outros hospitais e cronograma

Além do Hospital Central, o estado avança na construção de outras quatro unidades regionais. O mais adiantado é o Hospital Regional de Alta Floresta, a 803 km de Cuiabá, que pode ser entregue ainda este ano. As demais unidades têm previsão de entrega em 2026, mantendo o ritmo considerado otimista pelo governo.

Figueiredo também reafirmou seu compromisso com a transparência e se colocou à disposição da Assembleia Legislativa para esclarecer qualquer dúvida, tanto em audiências públicas quanto em comissões temáticas.

“O cidadão mato-grossense quer ser bem atendido, com dignidade. Estamos fazendo o possível para entregar isso com responsabilidade, planejamento e excelência”, finalizou o secretário.

Por Jota Passarinho 

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